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Falta de chuvas pode levar Rio a racionar água em 2015, diz secretário

Morador caminha com um cachorro ao longo da margem seca da represa Paraibuna - Roosevelt Cassio/Reuters
Morador caminha com um cachorro ao longo da margem seca da represa Paraibuna Imagem: Roosevelt Cassio/Reuters

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

23/01/2015 13h48Atualizada em 23/01/2015 15h41

O secretário de Estado de Ambiente do Rio de Janeiro, André Correa (PSD), afirmou nesta sexta-feira (23) que o governo tem um período de seis meses para arrumar a casa e evitar medidas drásticas a fim de resolver a crise hídrica que afeta a região Sudeste.

Se as chuvas não encherem os reservatórios da bacia do Paraíba do Sul até o começo do segundo semestre, Correa considera, inclusive, ter que executar um programa de racionamento de água, o que já consta do plano de contingência da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos). "Isso é algo que nós não descartamos", afirmou o secretário.

Para os próximos seis meses, o abastecimento não deve sofrer alterações no Estado, já que o Rio utilizará o volume morto do reservatório do Paraibuna, localizado na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. Nesse período, a medida mais drástica que encabeça o plano de crise do governo do Rio é a interrupção do fornecimento para empresas que atuam "na ponta do sistema", ou seja, no final do rio Guandu, como o polo industrial de Santa Cruz, o Porto de Itaguaí, entre outras.

"Essas empresas já estão avisadas há mais de um ano", declarou Correa, que aposta em um novo modelo de gestão da bacia do Paraíba do Sul --definido em conjunto com a ANA (Agência Nacional de Águas) e com os governos de São Paulo e de Minas-- para otimizar o funcionamento dos reservatórios, definir prioridades e possibilitar a economia de água. Esse novo modelo, segundo Correa, está "99,9% pronto" e deve ser anunciado em breve pela ANA.

Sobretaxa e bônus

O secretário defendeu novamente a implementação de uma sobretaxa para os que gastam mais água e um bônus para os que conseguem economizar. Ele ressaltou, porém, que a ideia ainda não tem a aprovação do governo do Estado.

"Particularmente, eu defendo um modelo tarifário que seja permanente, estruturante e racional", disse ele. "Infelizmente, a parte mais sensível do ser humano é o bolso. (...) Mas não temos um modelo pronto. Tudo passa pela viabilidade econômica da empresa [Cedae]. A decisão final será a que o governo tomar e eu vou me submeter a ela", finalizou.

Segundo Correa, desde abril do ano passado, quando a ANA começou a fazer reuniões de crise com os Estados do Sudeste afetados pela estiagem, medidas para reduzir a vazão do rio Guandu proporcionaram uma economia de 400 milhões de metros cúbicos de água nos reservatórios do Paraíba do Sul.

O secretário disse que, mesmo com a economia, a falta de chuvas deixou a situação ainda mais crítica. "Se não fossem os 400 milhões economizados, o reservatório [de Paraibuna] teria zerado em outubro", disse Correa.