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'Não tem improviso', diz diretor de planejamento da CET sobre ciclovias

Pedestres usam ciclovia para circular em rua sem calçada na zona sul de São Paulo - Luiz Claudio Barbosa/Futura Press/Estadão Conteúdo
Pedestres usam ciclovia para circular em rua sem calçada na zona sul de São Paulo Imagem: Luiz Claudio Barbosa/Futura Press/Estadão Conteúdo

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

20/03/2015 16h00

As ciclovias de São Paulo são feitas por engenheiros “capacitados, com registro no Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo)”, diz o diretor de planejamento da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), Tadeu Leite Duarte. “Não tem adaptação, não tem improviso”, comentou o diretor a respeito das críticas que algumas vias para bicicletas na capital paulista receberam. Uma delas foi instalada em uma rua sem calçada, a Caio Graco da Silva Prado, no Campo Limpo, na zona sul.

“Nessa via, tem o problema da ocupação indevida”, explica Duarte. “Agora, quando ele [o pedestre] sai de casa, ele se depara com uma bicicleta, não com um carro. Se a bicicleta bater nele, ele vai levar alguns arranhões. Com o carro, ele pode morrer."

Questionado se inclusão de uma faixa azul, como foi feito na rua Madre Cabrini, na Vila Mariana, seria uma solução, o diretor diz que a intervenção “prensaria os carros”.

O diretor de planejamento da CET lembra que o projeto de implantação de ciclovias na ruas de São Paulo utilizou 30 anos de análises. “O plano de execuções [do “SP 400km”] já previa as regiões em que as ciclovias seriam instaladas”, diz Duarte. As vias que receberão as ciclovias, porém, são “um detalhe que vai ser ajustado naquele momento, seguindo as diretrizes da rua”, segundo o diretor da CET.

Uma decisão judicial barrou a criação de novas ciclovias em São Paulo. Isso acontece na metade do prazo que a Secretaria Municipal de Transportes deu para atingir a meta de 400 quilômetros de vias para bicicletas na capital paulista. 

Problemas

Duarte também comentou intervenções feitas em ciclovias após as faixas terem sido pintadas, como aconteceu na avenida Engenheiro Caetano Álvares, na zona norte de São Paulo. Dias após ser instalada, em dezembro passado, alguns trechos seus foram apagados. “A empresa [que implantou a ciclovia] não tinha lido adequadamente o projeto, que dizia para pintar somente quando o rebaixamento [de trechos do canteiro central] estivesse pronto”, observa o diretor da CET. “A gente faz a fiscalização e fez a correção.”

Em fevereiro, a Justiça ordenou que a ciclovia da rua Madre Cabrini fosse desativada por causar riscos aos alunos de colégios da via. O diretor da CET rebate a decisão: “Não posso colocar em nenhum lugar que tenha escola?”. Para Duarte, a escola deveria ter um pátio interno, o que, segundo ele, foi negado pelo colégio. 

O diretor lembra que a CET projetou uma condição especial para a região, criando um projeto-piloto, uma faixa azul para embarque e desembarque de alunos. “Fizemos panfletos explicando como se daria o embarque e desembarque de alunos, treinamos os orientadores”, lembra Duarte.

Estimativa

Sobre a quilometragem proposta no projeto --400 quilômetros--, Duarte diz que o número foi definido em função de uma estimativa, a partir da análise da necessidade de ciclovias em cada região da cidade. “O número e a conta foram em função dessas medidas.”

Ele lembra que as ciclovias são instaladas pensando que o ciclista está disposto a pedalar cerca de sete quilômetros. “Mais que isso, ele já pensa em pegar um ônibus, ir de carro.”

Cronograma

Após publicação de reportagem do UOL informando que a cidade não atingiu a meta de novas ciclovias prevista em seu cronograma para março, a CET explicou que as “intempéries do final do ano passado” atrapalharam o ritmo de execução das obras.

De acordo com o projeto “SP 400km”, lançado em junho de 2014, São Paulo deveria ter hoje mais 260 quilômetros de ciclovias (sem contar os 63 quilômetros que já existiam na cidade). A última ciclovia, inaugurada em 14 de março, fez a cidade alcançar 199,8 quilômetros.

Sem considerar a decisão da Justiça que suspendeu a criação de ciclovias, ele considera viável chegar a 400 quilômetros de ciclovias até dezembro deste ano. “Em vez de 15 quilômetros por mês, vamos trabalhar com uma média de implantação de 20 quilômetros. Já temos um projeto, é só ajustar.”

A administração municipal, por sua vez, considera que, até a suspensão liminar de ontem, o ritmo de implantação do plano cicloviário "SP400km" estava "adequado". "Transcorridos oito meses e meio [a prefeitura considera julho como o início dos trabalhos; a reportagem utilizou o cálculo a partir da apresentação do projeto], já foram concluídos 200 quilômetros, metade do total. Os outros 200 quilômetros estavam planejados para implantação nos próximos nove meses e meio, objetivo consoante com o ritmo já demonstrando. O cronograma utilizado pela reportagem se refere às médias pretendidas na época do anúncio, em meados de 2014, e vem sendo atualizado continuamente pela equipe técnica da CET."