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Comandante da PM se desculpa com arcebispo do RJ por invasão a igreja: "lamentável"

6.dez.2016 - Policiais entram na Igreja de São José, ao lado da Alerj, e atiram da sacada contra servidores que participavam de manifestação - Luiz Souza/Fotoarena/Estadão Conteúdo
6.dez.2016 - Policiais entram na Igreja de São José, ao lado da Alerj, e atiram da sacada contra servidores que participavam de manifestação Imagem: Luiz Souza/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Do UOL, no Rio

07/12/2016 10h40

O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Wolney Dias, pediu desculpas ao arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, pela invasão de PMs à Igreja de São José, na terça-feira (6), durante um protesto de servidores contra o pacote anticrise do governo do Estado, em votação na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).

Os dois estiveram juntos na manhã desta quarta (7). Após a reunião, o chefe da corporação criticou a conduta de seus subordinados e classificou a ação como "lamentável".

"O episódio por si só é lamentável. É muito ruim, e as imagens são muito fortes", declarou ele, em referência a fotos e vídeos que registram a presença de homens do Batalhão de Choque na sacada da igreja. O templo fica ao lado do Palácio Tiradentes, casa da Alerj.

Na ocasião, militares utilizaram o local como base para lançar bombas de efeito moral em direção aos servidores que participavam de um protesto nos arredores da sede do Legislativo. Durante o ato, houve um intenso confronto entre as partes, e o centro do Rio teve cenas de praça de guerra. A reportagem do UOL observou o momento no qual policiais quebraram os vidros do segundo andar da Igreja de São José e passaram a atirar contra a multidão.

Ontem, a PM justificou a invasão, em nota, como uma necessidade: "Foi necessário que policiais do BPChq [Batalhão de Choque] entrassem na igreja vizinha à Alerj para coibir ações violentas no interior e no entorno".

coronel wolney e dom orani - Divulgação/Arquidiocese do Rio - Divulgação/Arquidiocese do Rio
Coronel Wolney Dias (de farda) conversa com o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta (segundo da dir. para a esq.)
Imagem: Divulgação/Arquidiocese do Rio

"Na verdade, o motivo principal da minha vinda aqui foi para formalizar um pedido de desculpas oficial em nome da Polícia Militar. (...) Foi uma decisão tática e tomada naquele momento sob o calor da situação. Os policiais estavam em risco. Estavam sendo alvejados com pedras, fogos e bombas. Naquele momento, tomou-se uma decisão", justificou Wolney nesta manhã.

O comandante-geral da PM disse ainda que a corporação está "verificando e apurando" os fatos e ouvindo os policiais envolvidos a fim de concluir uma investigação. Ele informou que a PM deverá usar a confusão de ontem como exemplo para rever protocolos e adotar uma "estratégia que impeça que um novo episódio como esse se repita".

O arcebispo do Rio declarou que o chefe da PM manifestou a sua "dor" a respeito dos fatos de ontem e ratificou o compromisso por parte do coronel de "abrir um protocolo para que isso não ocorra mais".

A Igreja de São José foi construída em 1807. O prédio já foi utilizado como igreja Matriz da cidade do Rio de Janeiro e, de acordo com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), não apenas a igreja, mas todo o seu acervo, são tombados.

Policiais usam bombas para conter manifestação no centro do Rio

UOL Notícias

Embate durou mais de 5 horas

Os servidores, entre eles policiais civis, bombeiros e agentes penitenciários, protestavam contra o pacote anticrise do governo do Estado do Rio, que começou a ser votado pelos deputados na tarde de terça. 

O confronto entre PMs e manifestantes durou mais de cinco horas. O efetivo de segurança contou com a presença de carros blindados e da cavalaria da Polícia Militar e ruas totalmente bloqueadas.

Enquanto os militares jogava bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo contra os manifestantes, os servidores revidavam chutando as bombas de volta, jogando fogos de artifício contra os agentes e, alguns momentos, cocos encontrados em lixeiras no centro.

A PM perseguiu grupos de manifestantes que resistiam em deixar a frente do Palácio Tiradentes, chegando a dispersar com bombas de efeito moral um bloco de carnaval que se apresentava na Feira da Reforma Agrária, no Largo da Carioca, a cinco quadras da Alerj.

Segundo a corporação, oito PMs ficaram feridos e foram atendidos em um ambulatório dentro da Alerj. Um deles teve ferimento próximo ao olho ocasionado pela explosão de um morteiro. Um jovem, não identificado, foi atingido por uma bala de borracha na garganta.

Votação na Alerj

Na sessão da Alerj foram aprovadas duas medidas de cortes de gastos com o próprio Legislativo (no uso de carros pelos parlamentares e com recepções durante sessões solenes) e um dos projetos do pacote, que autoriza o governo a usar notificações eletrônicas em processos da Fazenda estadual.

Os deputados decidiram alterar o calendário de votações. Agora, as sessões irão até a próxima segunda-feira (12). Inicialmente, o plano era seguir com as votações até o dia 15. Os sindicatos de servidores estão agendando uma paralisação geral para os dias 14 e 15.

Hoje, a Alerj vota o projeto que prevê a redução do valor dos subsídios do Bilhete Único Intermunicipal pagos pelo Estado às empresas de transporte, entre outros.