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Após 2ª aluna baleada em escola no Rio, diretores falam em 'barbárie'

5.jul.2017 - Escola no Lins fechou após a morte da menina Vanessa na Camarista Méier - Antonio Scorza/Agência O Globo
5.jul.2017 - Escola no Lins fechou após a morte da menina Vanessa na Camarista Méier Imagem: Antonio Scorza/Agência O Globo

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

05/07/2017 19h53

Diretores de 13 escolas do Rio de Janeiro divulgaram nesta quarta-feira (5) um manifesto criticando o que definem como uma situação de “barbárie” vivida no Estado. Nesta manhã, uma estudante de 14 anos foi baleada nas costas dentro de uma escola em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Em março, Maria Eduarda Alves Ferreira, 13, morreu ao ser atingida por seis disparos no pátio do colégio em que estudava, na zona norte da capital fluminense.

“Como diretores de escola, gostaríamos de externar nossa preocupação e alertar sobre a barbárie a qual estamos submetidos diariamente. Todos os dias, milhares de estudantes e profissionais estão deixadas à própria sorte em escolas abandonadas com pouquíssimos funcionários de apoio, faltando principalmente porteiros, e sem o controle das pessoas que entram e saem das escolas”, escrevem.

Desde o começo do ano letivo, em fevereiro, as escolas da cidade do Rio de Janeiro funcionaram integralmente apenas em sete dias. Ao todo, 380 unidades interromperam suas atividades ao menos por um dia devido à violência, deixando 128.937 alunos sem aulas.

Segundo os diretores, o governo deixou as escolas em situação de calamidade pública. “Nas escolas localizadas em áreas ditas de risco, são as próprias “operações” da polícia no horário de aula que expõem a comunidade escolar ao risco de terem sua integridade física violada”, afirma o texto, que pede ainda “bom senso sobre os riscos que as operações realizadas em horário escolar trazem”.

Após se reunir com professores, pais de alunos e representantes da escola em que Vanessa Vitória dos Santos, 11, estudava, o secretário municipal de Educação do Rio, Cesar Benjamin, criticou a atuação da Polícia Militar. Vanessa morreu nesta terça (4) após ser atingida na cabeça por um disparo realizado durante uma operação da polícia na favela em que morava, no Lins, zona norte da cidade.

"Tentamos estabelecer o diálogo levando uma agenda mínima para a educação, que é não atacar os colégios, não parar os caveirões perto desses locais, não fazer operações na hora de entrada e saída dos alunos. Mas, infelizmente, essa agenda que queríamos transformar em um protocolo comum entre educação e segurança não prosperou", afirmou.

Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança informou que o secretário de segurança, Roberto Sá, determinou mudanças nos procedimentos realizados pelos policiais durante as operações.

A Secretaria afirma que após a morte de Maria Eduarda foi determinada a realização de um de um estudo a fim de “verificar as falhas na ação e consequentemente, de aperfeiçoar normas e protocolos de operações policiais, adotando critérios mais rígidos de controle e autorização para tal”.

Sá também determinou que seja enviado um relatório mensal à Seseg com informações detalhadas sobre os disparos de arma de fogo realizados por cada unidade da Polícia Militar. “É preciso deixar claro que a nossa política de segurança nunca foi a do confronto”, afirmou o secretário.

Nos últimos dez anos, 35 crianças morreram vítimas de bala perdida no Estado do Rio de Janeiro, segundo levantamento da ONG Rio de Paz. Somente neste ano, foram cinco mortes --todas na zona norte carioca.

Mais da metade das mortes (22) verificadas na última década ocorreu nos últimos dois anos e meio, de acordo com a organização que acompanha casos de violência no Rio. Considerando todos os casos registrados, 29 ocorreram na capital fluminense, enquanto seis se deram na Baixada Fluminense e região metropolitana do Rio.