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Após menina ser baleada, polícia apura se 157 tem ordenado assaltos a mercados na Rocinha

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

26/10/2017 15h50

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga se o traficante Rogério 157 tem ordenado assaltos a mercados da favela da Rocinha, na zona sul. Uma adolescente de 12 anos foi vítima de bala perdida na noite de quarta-feira (25), quando deixava uma festa evangélica na comunidade. A Polícia Militar informou ter sido acionada por moradores da favela, que relataram que um mercado havia sido assaltado por criminosos armados.

Segundo parentes da menina, um dos funcionários do mercado que foi roubado tentou avisar um PM da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) sobre o crime. Os criminosos, ao perceberem, teriam tentado atingi-lo e alvejaram a garota.

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O delegado Antônio Ricardo Nunes, da 11º Delegacia de Polícia (Rocinha), disse que uma perícia deve ser realizada no local --na região da rua 2-- ainda hoje.

“Se tiver o mínimo indício de participação no tráfico, o Rogério 157 vai responder por todos os roubos que ocorreram na comunidade. Vai responder o [criminoso] que meteu a mão lá, [o criminoso] que está de frente e o Rogério como mandante”, afirmou o delegado.

A adolescente, que foi baleada no abdômen, retornava a pé para a casa na companhia da família. Ela foi socorrida na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Rocinha e, posteriormente, levada para o hospital Miguel Couto. O estado de saúde dela é estável.

Menos de 24 horas após a menina ter sido baleada um novo tiroteio voltou a assustar moradores no começo da tarde de hoje na Rocinha.

O caso da adolescente ocorre dois dias depois de uma turista espanhola, de 67 anos, ter sido morta após um tenente da PM disparar contra o carro em que ela estava, na Rocinha, segundo investigações da Divisão de Homicídios. Segundo os policiais, o carro onde a espanhola estava não obedeceu uma ordem de parada dos agentes, o que resultou no disparo. Já o motorista do veículo disse não ter percebido qualquer sinalização por parte dos agentes.

Desde setembro, a Rocinha vive crise de violência devido a um racha entre os traficantes Nem e Rogério 157. Os criminosos disputam o controle do tráfico de drogas da região. Nem estaria dando ordens de fora do presídio federal em Rondônia, onde está preso.

No fim do mês passado, cerca de 950 homens do Exército foram acionados e enviados para cercar a Rocinha. Depois de uma semana, o Exército deixou o local. Segundo o ministro da Defesa, Raul Jungmann, a Rocinha estava "estabilizada. No entanto, os tiroteios ocorrem com frequência na região, que está com o policiamento reforçado.