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AM diz que evitou 'tragédia maior' ao tirar de celas 200 jurados de morte

23.abr.2019 - Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas - Reprodução - 23.abr.2019/Facebook/WilsonLimaAM
23.abr.2019 - Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas Imagem: Reprodução - 23.abr.2019/Facebook/WilsonLimaAM

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

28/05/2019 20h04

Após a morte de 15 presos no último domingo (26), o governo do Amazonas afirma ter retirado ontem 200 "jurados de morte" de suas celas. Enquanto essa operação acontecia, 40 detentos foram asfixiados e assinados por rivais - e o número teria sido maior se a retirada não houvesse ocorrido, disse hoje o governador Wilson Lima (PSC).

"Havia um trabalho do nosso setor de inteligência que havia uma racha em um grupo organizado, mas não sabíamos que eram possíveis vítimas e possíveis autores", disse Lima em entrevista coletiva nesta tarde.

"Começamos isso [identificação] ontem, e à medida que acontecia, íamos retirando da cela. Pelo menos 200 detentos jurados de morte foram retirados das celas, evitando que fosse tragédia ainda maior", afirmou.

A facção que o governador cita é a FDN (Família do Norte), terceira maior do país e com domínio de boa parte do crime organizado no Amazonas. A briga de líderes seria o motivo das 55 mortes registradas domingo e ontem em quatro unidades do sistema prisional manauara.

Lima informou ainda que nove presos já foram transferidos para presídios de segurança máxima, e mais 20 devem ser levados amanhã. "Estamos só dependendo da aeronave, mas já temos a autorização", afirmou, sem citar os locais para onde os detentos foram levados.

Até o momento, dos 55 presos mortos, 32 foram identificados pelo IML (Instituto Médico Legal). Outros devem ser identificados por métodos mais detalhados, como análise de arcada dentária.

Sobre a Força Nacional Penitenciária, o governador informou que pelo menos 100 homens da ação federal devem estar em Manaus até o fim de semana, autorizados pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. "Eles são treinados para esse tipo de situação e devem ajudar muito nesse trabalho", afirma.

O governador visitou o sistema prisional hoje e disse que viu os problemas de perto. "A situação está sob controle. As suspensas estão suspensas, por um medida normal pelo que houve", disse, citando que determinou o reforço do policiamento em toda capital. "Não há toque de recolher em nenhum bairro de Manaus", garantiu, desmentindo boatos que se alastraram pela periferia da cidade.

Segundo o último dado público da Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária), havia 9.499 presos detidos no sistema prisional do Amazonas em julho de 2018, 130% acima da capacidade. O governo informa que trabalha para ampliar o número de vagas e construção de novas unidades.

No estado, além de presos da FDN, há detentos do PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho). Todas disputam territórios no estado.