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Flordelis: MP cita ataque a bomba e pede monitoramento por tornozeleira

A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) durante o seminário "O Instituto da Adoção no Brasil", em maio de 2019 - Cláudio Andrade/Câmara dos Deputados
A deputada federal Flordelis (PSD-RJ) durante o seminário "O Instituto da Adoção no Brasil", em maio de 2019 Imagem: Cláudio Andrade/Câmara dos Deputados

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

15/09/2020 20h01Atualizada em 15/09/2020 20h06

O MP-RJ (Ministério Público do Rio) pediu à Justiça que a deputada federal Flordelis (PSD-RJ), denunciada sob a acusação de ter sido a mandante do assassinato do próprio marido, seja monitorada com o auxílio de tornozeleira eletrônica. Ela só não foi presa pela suposta ligação com a morte do pastor Anderson do Carmo, morto a tiros em junho de 2019, porque tem imunidade parlamentar.

No pedido, feito na última sexta-feira (11), o órgão citou a dificuldade da Corregedoria da Câmara para localizá-la após duas tentativas e o atentado a bomba denunciado por uma testemunha do crime, que ocorreu na madrugada de 4 de setembro. Segundo o MP-RJ, a liberdade plena de Flordelis causa intranquilidade em todas as testemunhas ouvidas no caso.

O promotor Carlos Gustavo Coelho de Andrade encaminhou o documento à 3ª Vara Criminal de Niterói solicitando, ainda, o afastamento da parlamentar do seu cargo e que ela cumpra o recolhimento domiciliar noturno, das 23h às 6h. Procurada, a defesa de Flordelis informou que não vai se manifestar.

No requerimento, o MP-RJ citou as tentativas de localização do paradeiro da parlamentar para que ela fosse notificada pela Câmara dos Deputados ao embasar o receio da Promotoria de que ela possa ter contato com testemunhas —o que é proibido.

[Ela] pode facilmente violar o teor das cautelares já deferidas (...) e manter contatos impróprios com testemunhas, na medida em que seus passos não são passíveis de serem rastreados e identificados
Trecho do requerimento do MP-RJ

O documento também incluiu o depoimento prestado ao MP-RJ na última quinta-feira (10) pela empresária Regiane Ramos Cupti Rabello, que disse ter sido vítima de um atentado a bomba —segundo ela, o artefato explosivo foi jogado em frente ao seu imóvel. "A testemunha (...) se sente insegura e com medo, ainda mais diante da liberdade da ré Flordelis", disse o MP.

Em depoimento, a empresária disse acreditar que o ataque pode ter sido orquestrado para intimidá-la, já que ela possui relação de proximidade com Lucas dos Santos, filho adotivo de Flordelis preso por supostamente ter obtido a arma usada para para matar o pastor Anderson — Flávio dos Santos Rodrigues, filho biológico da deputada e também preso, é acusado de ser o autor dos disparos.

Segundo Regiane, Lucas "poderia sentir-se pressionado a voltar atrás em sua versão para que a depoente não sofresse novos ataques e atentados". Ela falou, ainda, que o atentado ocorreu após os advogados de Flordelis terem tido acesso ao depoimento de Lucas.

Os fatos novos ocorridos, (...) se somados à constatada dificuldade de localização do paradeiro da deputada federal Flordelis no período posterior ao recebimento da denúncia, tornam necessária a decretação das cautelares antes indeferidas, de ordem a minimizar o risco à instrução criminal, à aplicação da lei penal e à ordem pública
Outro trecho do requerimento feito pelo MP-RJ

O caso do ataque a bomba está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, que também apura o assassinato do pastor Anderson.

De acordo com as investigações, um veículo rondou a residência da testemunha. E, em seguida, o artefato foi detonado próximo à porta do imóvel. Os investigadores recolheram fragmentos no local, que foram encaminhados à perícia. Os policiais também estão à procura de imagens de câmeras de vigilância, que possam ajudar a identificar a autoria do crime.