Ter um branco no momento de falar em público é uma saia justa que ninguém gostaria de enfrentar. Reflita comigo no constrangimento desta circunstância: ao fazer uma apresentação diante da platéia, num determinado momento, sem mais nem menos, dá um branco, as idéias desaparecem e você fica sem saber qual rumo tomar.
A situação começa a ficar desesperadora depois que você descobre não se tratar apenas do desaparecimento de uma ou outra palavra que deveria corporificar de maneira adequada o pensamento. Você percebe que a falha é muito mais grave, pois o que sumiu na verdade foi toda a seqüência do raciocínio.
Entre o momento do branco e a descoberta de que você ficou sem saber por onde seguir na apresentação transcorrem apenas alguns poucos segundos, mas na sua cabeça a impressão é de que foram longos e intermináveis minutos.
Esse é um cenário muito apropriado para o aparecimento do medo. Afinal, todas as condições indicam que, se a situação persistir, a sua imagem como orador poderá ser prejudicada. Por isso é natural que ocorra uma descarga de adrenalina no organismo e que a partir daí o descontrole se generalize.
Um dos erros mais graves que se pode cometer para tentar afastar o branco é o de insistir sem nenhum critério para reencontrar a linha de pensamento. A experiência mostra que, quanto mais se insiste, mais o pensamento tenderá a escapar.
Ah, se fosse possível fugir e não ter de passar por esse sofrimento. Como seria bom se aparecesse um buraco no chão e pudesse desaparecer da frente dos ouvintes. Melhor ainda seria acordar e se dar conta de que tudo não passou de um pesadelo.
Se você já teve um branco ao falar em público, sabe exatamente o que eu estou dizendo. Se você nunca foi apanhado por ele, tem consciência de que precisa se cuidar, pois todos nós estamos sujeitos a passar por essa situação diante da platéia.
Essa é uma preocupação não só de quem se inicia na arte de falar em público, mas também daqueles já experimentados em freqüentar tribunas. Quase todas as semanas alguém me diz: "Polito, tenho medo de que me dê um branco".
Se você seguir as sugestões que vou passar a partir deste momento, terá à disposição um conjunto de recursos para se proteger do branco.
Esteja muito bem preparadoEmbora o preparo nem sempre seja suficiente para impedir o aparecimento do branco, as chances de que ele ocorra se ampliam ainda mais se você não se preparar de maneira conveniente. Por isso não se arrisque.
Não se limite a uma preparação apenas superficial. Saiba que passar os olhos duas ou três vezes no texto que irá expor, provavelmente, não será suficiente para que se sinta seguro e em condições de falar.
Não seja negligente. Cuide da sua preparação o máximo que puder. Use todo o tempo que tiver à disposição. Se puder contar com uma semana para se preparar, prepare-se durante toda a semana. Se tiver um mês, prepare-se durante todo o mês. Enfim, quanto mais preparado estiver, maior será o seu domínio sobre o tema, mais organizada será a seqüência do raciocínio e, conseqüentemente, menores serão as chances de que ocorra o branco.
Uma boa estratégia de preparação é a de ensaiar o discurso de maneiras diferentes, alterando as palavras, modificando a ordem das etapas e dos tópicos. Procure alternar o treinamento com e sem o apoio de recursos visuais. Esse procedimento permitirá que promova as adaptações que julgar convenientes diante dos ouvintes, no momento da apresentação.
Estou fazendo essa sugestão porque se você se submeter a uma única forma de treinamento e durante a apresentação não se lembrar de uma ou outra informação importante, ficará limitado para encontrar alternativas que o ajudem a superar o problema.
São inúmeros os exemplos de pessoas das mais diferentes formações dizendo-se abaladas por causa da desagradável experiência de terem enfrentado um branco quando era importante que se saíssem bem na apresentação.
O problema de algumas delas foi tão grave que chegou a prejudicar sua imagem profissional.
Não permita que o mesmo ocorra com você. Prepare-se bastante. E, quando achar que já está pronto, volte a se preparar ainda mais.
Leve um roteiro como apoioNão haverá nenhum mal se você resolver levar um roteiro escrito como apoio para ter mais segurança na apresentação. Você poderá contar com o auxílio do roteiro sempre que desejar, mas recorra a esse apoio especialmente quando se sentir desconfortável, imaginando que pelo nervosismo poderá ter um branco.
Prepare o roteiro de tal forma que possa se sentir à vontade para manuseá-lo diante do público. Uma recomendação que dá bons resultados é escrever frases que possam ajudá-lo a seguir a seqüência da exposição. Inclua também no roteiro os números, as datas e as cifras que precisam ser mencionados.
Você se sentirá mais amparado com o uso de um roteiro. Provavelmente o fato de saber que, se não se lembrar de alguma informação poderá recorrer ao recurso de apoio, vai deixá-lo mais seguro. E é quase certo que nunca precise recorrer a ele, pois essa confiança permitirá que se lembre de todos os dados de que precisar.
Como agir na hora do brancoAté aqui eu me preocupei em orientá-lo como agir para evitar o branco. Agora vou dar algumas dicas de como proceder se for surpreendido por ele.
O maior e mais importante de todos os conselhos que eu poderia dar é que procure não perder a calma e muito menos se desesperar se der o branco -por maior que seja a dificuldade para agir assim.
Tenha em mente que, se ficar desesperado, perderá o controle da situação e agravará ainda mais o problema. Se você for dominado pelo desespero, mais irá se pressionar e menores serão as chances de se safar dessa verdadeira armadilha que armará para você mesmo. Por isso, quanto mais puder manter a calma, maiores serão as possibilidades de sucesso.
Há pouco, eu disse que um dos erros mais graves para quem é apanhado pelo branco é o de ficar insistindo para encontrar a informação que perdeu. Por isso, não insista. Se tiver um branco insista apenas uma vez para tentar se lembrar da informação.
Se não for possível recuperá-la na primeira tentativa, veja se consegue repetir a última frase que pronunciou, como se estivesse querendo dar ênfase àquela parte da mensagem -às vezes dá certo e ao chegar ao ponto em que deu branco a informação poderá surgir naturalmente.
Bem, se esse recurso não der certo, recorra à expressão que dá excelentes resultados, o melhor remédio contra o branco. Diga:
"na verdade, o que eu quero dizer é..." Essa expressão o obrigará a recontar a informação por um novo ângulo, e o pensamento se ajustará para continuar com a seqüência planejada. Funciona mesmo, pode usar que dá resultado.
Se mesmo assim esse remédio que estou dizendo que é infalível fracassar, comente com os ouvintes que mais à frente voltará a abordar esse ponto da apresentação e passe imediatamente para o tópico seguinte. Dessa forma, tendo saído da pressão do momento e com mais tranqüilidade, ao longo da apresentação você terá melhores condições de se lembrar do que havia esquecido. Ainda que não consiga se lembrar da informação, é pouco provável que alguém se manifeste pedindo que volte a falar daquele tópico.
Você também poderá contar com o auxílio de um ponto eletrônico. Com esse aparelho imperceptível no ouvido e com a ajuda de uma pessoa bem treinada para passar informações, você estará ainda mais protegido contra o branco.
| SUPERDICAS DA SEMANA |
|---|
| Prepare-se e ensaie o máximo que puder |
|---|
| Recorra a um roteiro de apoio |
|---|
| Não insista |
|---|
| Repita a última frase como se quisesse dar ênfase à mensagem |
|---|
| Use a expressão mágica - na verdade o que eu quero dizer é... |
|---|
| Informe que retornará ao assunto mais à frente |
|---|
| → Livro de minha autoria que trata desse tema: "Como Falar Corretamente e sem Inibições", publicado pela Editora Saraiva |
|---|
|