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04/03/2005 - 08h50
Argentina obtém aceitação de 76,07% à proposta de redução da dívida

Por Cesar Illiano

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina obteve uma adesão de 76,07% à sua oferta de reestruturação de dívida, apesar de ter proposto às centenas de milhares de credores a maior redução de capital da história.

A oferta garantiu a recuperação de apenas cerca de US$ 30 por US$ 1 do valor nominal dos bônus originais.

O ministro da Economia, Roberto Lavagna, informou que o país obteve um corte em sua dívida de US$ 67,2 bilhões. Lavagna disse que, pelo total da dívida em default (moratória) de US$ 102,5 bilhões de dólares (incluindo juros vencidos), o país emitirá novos títulos no valor de US$ 35,238 bilhões de dólares.

Com esses números de aceitação, o ministro descartou ter de realizar no futuro algum pagamento aos credores que não aceitaram a troca e que pretendem resgatar seus investimentos na Justiça.

Recusaram a oferta proprietários de títulos em default no valor de cerca de US$ 19,6 bilhões.

A campanha do presidente Néstor Kirchner foi essencial para o êxito da troca. Ele se encarregou de todo o processo de reestruturação --cuja primeira proposta foi lançada em setembro de 2003--, sempre advertindo que, se os credores não a aceitassem, perderiam todo o dinheiro.

"Nós, argentinos, conseguimos dar um passo importantíssimo para a recuperação da Argentina", disse o presidente.

O resultado ficou em linha com as estimativas do mercado, que registrou forte alta durante as seis semanas em que a operação se desenvolveu, entre 14 de janeiro e 25 de fevereiro.

"É muito interessante, alto (o nível de adesão), reconfortante para o país", disse à Reuters o ex-presidente do Banco Central argentino Rodolfo Rossi.

Apesar do alto nível de adesão, a dívida pública continua sendo um peso, a 72% do Produto Interno Bruto (PIB), ante pouco menos de 60% em 2001.

O ministro Lavagna disse que o governo já recebeu ofertas para colocar novos bônus, e que, no dia 18 de março, serão divulgados os dados definitivos da operação.

NAS RUAS

O anúncio da taxa de aceitação era esperado com ansiedade por empresários e analistas.

Alfredo Coto, presidente da cadeia de supermercados Coto, uma das empresas que mais emprega no país, disse que "há um antes e um depois da troca. Espero que agora, com esses otimismo, nós, empresários, possamos gerar investimento e renda".

Outros empresários de distintos setores convidados para o discurso de Kirchner também mostraram satisfação com os resultados.

Nas ruas de Buenos Aires, no entanto, a expectativa era moderada.

"Dedico-me a temas de exportação e acredito que (a saída do default) pode atrair capital, abrir um pouco mais os mercados, o crédito (à Argentina)", disse Pablo Elid, de 38 anos, formado em relações exteriores, enquanto esperava um ônibus.

Luis, um psicológo de 67 anos que deixava a estação de trens da cidade, não pensa o mesmo.

"Não sou otimista... Não é para se vangloriar deixar de pagar o que se deve."



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