27/02/2007 - 20h08
Saiba mais: mercado tem dia caótico com temor sobre EUA e China

SÃO PAULO (Reuters) - A crise nos mercados financeiros nesta terça-feira tem origem na preocupação dos investidores com uma possível desaceleração da economia nos Estados Unidos e na China.
O movimento generalizado de venda de ações de empresas teve início com a queda da Bolsa de Xangai e se agravou após a divulgação de dados nos EUA que apontam retração econômica. Europa, EUA e América Latina foram atingidos. No Brasil, a Bovespa chegou a cair 7,87%, nível similar ao do 11 de setembro de 2001.
Veja os fatos que influenciaram o desempenho dos mercados:
-- O ex-chairman do Federal Reserve Alan Greenspan, todo-poderoso do Banco Central norte-americano por quase 30 anos, deu declarações indicando a possibilidade de uma recessão nos EUA no final deste ano. Para Greenspan, a economia dos EUA vem se expandindo desde 2001, mas já há sinais de que este ciclo esteja perto do fim. Suas previsões haviam afetado alguns mercados na véspera.
-- As Bolsas sentiram o abalo da queda de quase 9% no Índice Xangai --a maior queda percentual em uma década e com perda de US$ 140 bilhões. A baixa ocorreu em meio a temores de que as autoridades chinesas tomem medidas para combater movimentos de especulação que levaram as ações aos maiores níveis da história. Muitos traders chineses atribuíram a queda do índice, que disparou 130% no ano passado, ao pânico.
-- Nos EUA, dados do Departamento de Comércio mostraram que as encomendas de bens duráveis caíram 7,8% em janeiro, muito além do esperado. O índice previsto era de 2,5%.
-- Ao final do dia, o índice Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, recuou 3,29%, para 12.216 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq perdeu 3,86%, para 2.407 pontos. O Standard&Poor's registrou a maior baixa diária em mais de três anos, em 1.399 pontos. A Bolsa de Valores de Nova York chegou a instituir limites para a baixa das ações no meio da tarde.
-- As ações européias tiveram a maior queda percentual dos últimos quatro anos. Os setores de mineração e energia lideraram a baixa. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações das empresas européias, caiu 2,86%, para 1.506 pontos, menor nível desde 11 de janeiro, revertendo quase dois terços dos ganhos registrados no ano.
-- O índice Bovespa despencou 6,63%, para 43.145 pontos, com volume de negócios superior a R$ 5 bilhões. Foi a maior baixa do indicador desde setembro de 2001. O índice chegou a atingir baixa de 7,87%. A ação mais negociada foi a Vale do Rio Doce, com queda de quase 8%. No sentido inverso, o dólar subiu 1,73% para R$ 2,12, maior alta desde maio do ano passado.
-- O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, aproveitou para afirmar que as decisões do BC devem seguir uma estratégia sustentável e que a deterioração dos mercados é um "aviso" de cautela: "Acho que (o comportamento dos mercados) de fato é um aviso de que nós não podemos basear a política econômica em dados de euforia momentânea."
-- O ministro da Fazenda, Guido Mantega, descarta que a turbulência veio para ficar. "Não vejo problema de longa duração, vejo problema de curta duração. Poderá causar alguma oscilação durante alguns dias."
-- Nos demais países da América Latina, a bolsa da Argentina foi a que mais perdeu: o índice Merval caiu 7,5%. O IPC do México teve queda da 5,8%, enquanto no Chile o IPSA registrou queda de quase 5%.
-- Nos EUA, a Casa Branca fez uma avaliação de que "os fundamentos da economia norte-americana estão sólidos". O presidente George W.Bush foi informado dos movimentos nos mercados por telefone pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson.
(Por Carmen Munari)