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15/05/2007 - 17h18

Indústria lamenta dólar abaixo de R$ 2 e cobra medidas

Por Alberto Alerigi Jr. e Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Empresários lamentaram nesta terça-feira a queda do dólar para patamar inferior a R$ 2 e voltaram a defender medidas para impedir a desvalorização da moeda norte-americana, que reduz a competitividade de produtos brasileiros no exterior.

O presidente da associação que representa a indústria eletroeletrônica (Abinee), Humberto Barbato, disse que o câmbio está obrigando o setor a rever suas exportações, aumentar preços e buscar insumos fora do país.

"Estamos chegando a um momento em que estamos atingindo um limite na capacidade que a indústria tem de promover alterações em sua forma de produzir para melhorar sua produtividade", disse Barbato à Reuters, por telefone.

Na manhã, o dólar caiu abaixo de 2 reais pela primeira vez em seis anos, com um cenário internacional favorável. Durante a tarde, a moeda acelerou a queda e a divisa norte-americana encerrou cotada a 1,982 real, em baixa de 1,34 por cento.

O diretor de pesquisas econômicas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, disse que já esperava cotação do dólar abaixo dos 2 reais.

"Essa era a tendência, porque você não tem nada que se contraponha a essa trajetória. Parece haver uma crença no governo de que a indústria de transformação não é de extrema importância para o crescimento da economia", afirmou.

Segundo ele, a expansão da indústria em 2007 ficará abaixo da taxa de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) pelo terceiro ano consecutivo. "O que estão fazendo é ensinando o cavalo a viver sem comida, e um dia o cavalo vai morrer."

A Fiesp tem insistido que uma queda maior do juro garantiria desvalorização do real.

Segundo o presidente da Abinee, a indústria eletroeletrônica está esperando a implantação de medidas do governo para desonerar a folha de pagamento de empresas que fazem uso intensivo de mão-de-obra, como forma de compensar a valorização do real.

Desde 2004, os reajustes médios de preços na indústria eletroeletrônica são da ordem de 30 por cento, informou Barbato. Para ele, a situação não é mais grave por conta da expansão da economia mundial.

"O mundo está num momento de crescimento e, por isso, está aceitando os aumentos de preços. É uma vantagem de que o Brasil se aproveita agora, mas quando se olha os dados, percebe-se que há uma redução considerável nas quantidades dos produtos exportados, porque os preços foram aumentados", afirmou. "O governo não pode deixar o câmbio 'ao Deus dará"', defendeu.

O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ricardo Martins, ressaltou a concentração das exportações "em poucas e grandes empresas", o que desestimula novos investimentos.

"As empresas que mantêm vendas para o exterior procuram formas de manter mercados arduamente conquistados em períodos anteriores, e um dos caminhos para isso é a compra de insumos e produtos intermediários no exterior, de modo a reduzir a composição dos custos de produção no país", completou.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou confiança de que o câmbio vai se ajustar, mas ponderou que "não tem milagre". Ele afirmou ainda que o câmbio continuará flutuante e acenou para medidas tributárias, como a redução de alíquotas de importação, para conter a valorização do real.

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