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10/08/2007 - 12h56

Bovespa opera em forte queda, com turbulência mundial

Da Redação
Em São Paulo
A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em forte queda na manhã desta sexta-feira, voltando à casa dos 52 mil pontos (acompanhe gráfico com atualização permanente). O dólar faz o caminho inverso e sobe, atingindo novamente a faixa de R$ 1,95.

Às 12h50, o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, caía 2,31%, a 52.196 pontos. O dólar avançava 0,99%, cotado a R$ 1,946 na venda. Durante a manhã, a moeda disparava e chegou a atingir R$ 1,965. As ações brasileiras seguem a turbulência que atinge os mercados de todo o mundo.

Nos Estados Unidos, as Bolsas estão em forte queda. Na Europa, as ações seguem em baixa acentuada e já perderam todos os ganhos registrados neste ano. Na Ásia, os mercados despencaram, influenciados pela crise do setor de norte-americano.

"O Brasil está muito sólido para enfrentar uma situação como esta", disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele acrescentou que o nervosismo não afetará a trajetória da taxa básica de juros. As corretoras de valores também dão sinal de otimismo, ao manter as previsões de alta da Bovespa. Já alguns analistas, apesar de confiarem na economia brasileira, vêem o cenário externo como uma ameaça forte. Veja o que governo, corretoras e especialistas pensam sobre a repercussão da crise no Brasil
BRASIL RESISTE?
MANTEGA: PAÍS É SÓLIDO
PREVISÕES OTIMISTAS
ANALISTAS HESITAM
Crise inédita
As atuais condições do mercado hipotecário nos Estados Unidos são inéditas, declarou na noite de ontem a empresa norte-americana Countrywide Financial, maior concessionária de crédito imobiliário de seu país em termos de volume.

Ela alertou que as condições ruins "sem precedentes" no mercado secundário de hipotecas estão fazendo a empresa reter uma grande parcela de empréstimos hipotecários em vez de vendê-los.

BC dos EUA intervém
Nos Estados Unidos, antes da abertura das Bolsas, o banco central decidiu injetar US$ 19 bilhões no mercado em uma oferta de três dias, para acalmar investidores.

Mas, ao invés de tranquilizar, a medida acabou assustando, segundo o analista Júnior Hydalgo, diretor da Trust Investimento. "O fato de o banco central [dos EUA] estar injetando dinheiro mostra que ele está preocupado", disse.

A autoridade monetária norte-americana já colocou no mercado, nesta semana, um total de US$ 68,5 bilhões, número 36% maior que os US$ 50,25 bilhões da semana passada. A operação de hoje ocorreu antes do horário habitual, às 9h10 (horário de Brasília), e foi a maior em quatro anos, segundo o Federal Reserve de Nova York. Em 15 de agosto de 2003, houve uma injeção de US$ 20 bilhões.

Ontem, o presidente George W. Bush afirmou que os fundamentos da economia de seu país são fortes apesar da turbulência no mercado imobiliário. Ele citou a inflação baixa, o sólido mercado de trabalho e uma economia global saudável como fatores contrários à crise.

ENTENDA O CHOQUE IMOBILIÁRIO
Arte UOL
Infográfico mostra como a crise dos imóveis nos EUA interfere no resto do mundo. Veja
Esforço mundial
A medida do BC americano vai ao encontro de um esforço mundial de bancos centrais para conter a turbulência. Além do norte-americano, as autoridades monetárias da Europa, Japão, Austrália e Canadá, entre outros, vêm fazendo intervenções acima do normal desde ontem.

No caso do Banco Central Europeu, a injeção de dinheiro no mercado realizada ontem e hoje é recorde, superando a dos dias 12 e 13 de setembro de 2001.

As preocupações com o mercado de crédito nos Estados Unidos, verificadas desde o final de julho, intensificaram-se ontem depois que o BNP Paribas, maior banco francês, informou que impediu seus clientes de sacarem dinheiro de alguns de seus fundos, que somam US$ 2,2 bilhões. O motivo alegado pelo banco é a crise do mercado hipotecário norte-americano.

(Com informações de EFE, Reuters e Valor Online)
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