A menos que o investidor decida comprar ele mesmo cada uma das ações ou dos títulos que comporão para seu portifólio, a escolha de um bom fundo é fundamental para o sucesso do investimento. Afinal, o desempenho do fundo contribuirá decisivamente para os ganhos ou perdas que virão no futuro e formarão (ou destruirão) um patrimônio.
Aprender a escolher um bom fundo, portanto, tem uma importância muito grande. A boa notícia é que, como toda arte, esta também pode ser aprendida, bastando um bocado de dedicação e esforço.
"Assistir novela é fácil, fazer um bom investimento exige um pouco mais de trabalho", avisa o professor de finanças William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas, que dá as dicas de como selecionar um bom fundo de investimento.
O primeiro passo é selecionar os fundos de melhor desempenho nos últimos cinco anos. Essa seleção tem por objetivo mostrar se os fundos selecionados mantiveram consistência nos seus ganhos.
É importante verificar o desempenho ano a ano, e não apenas o desempenho geral, porque um fundo pode ter tido um desempenho excepcional que "inflacionou" o índice, mas não conseguiu manter tal performance nos anos seguintes.
A essa altura, você deve estar se perguntando onde buscar estas informações. O
site da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) e o da
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) são ótimos caminhos.
Feita esta lição de casa, o próximo passo é olhar a alavancagem dos fundos. Alavancagem é o termo que o mercado usa para medir a exposição ao risco. Dois fundos podem ter excelente desempenho, mas um pode estar mais "alavancado", mais exposto ao risco, do que outro.
Nesse quesito, podem ser medidos vários riscos, como o de concentração. Fundos que concentram investimentos em poucas ações estão mais expostos ao risco, em tese, do que fundos que diluem seu investimento em mais ações.
"Há uma série de quesitos para os quais o investidor tem de estar atento, como observar se o fundo adota controles internos para minimizar riscos, observando as regras de compliance (termo que deriva do verbo inglês "to comply", que significa observar as regras, normas e procedimentos), lembra o professor Eid.
Novamente, o investidor terá de ter um trabalho a mais, que quase ninguém gosta, que é o de ler o prospecto do fundo. O prospecto é onde está descrita toda a política de investimentos, a taxa de administração que será cobrada, todas as informações essenciais para se medir o risco de um fundo.
No site da CVM, no acesso rápido a fundos de investimento, estão disponíveis todas as informações sobre os fundos que estão operando no mercado. Basta procurar.
Já deu para sentir que dá trabalho, ninguém pode negar. Mas com certeza vale a pena, já que o investidor desavisado costuma sofrer muito mais do que aquele que está preparado. E convenhamos, para quem não quer sofrer, o caminho é simples: vá para a caderneta de poupança.