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19/08/2005 - 18h30

Suspeita sobre Palocci faz dólar subir a R$ 2,45 e Bolsa cair 0,95%

Dólar e Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) foram afetadas com suspeitas levantadas contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O dólar encerrou esta sexta-feira com a maior alta desde maio de 2004

A moeda norte-americana terminou a R$ 2,45, com avanço de 2,9% -o mais forte desde 31 de maio de 2004, quando o dólar subiu 3,17%. Na semana, o dólar acumulou avanço de 3,20%.

Depois de cair 2,86% por conta de denúncias de corrupção envolvendo Palocci, a Bovespa reduziu as perdas e fechou com baixa de 0,95%, aos 26.643 pontos. Na semana, acumulou queda de 1,13%.

O advogado Rogério Tadeu Buratti, preso na quarta-feira acusado de crime de lavagem de dinheiro, foi assessor de Palocci na Prefeitura de Ribeirão Preto e acusou o ministro de participar de suposto esquema de corrupção. O ex-assessor fez um acordo para colaborar com a Justiça em troca de redução de pena.

Pela manhã, o promotor Sebastião da Silveira, que acompanhava o depoimento, afirmou que Buratti disse que Palocci recebia R$ 50 mil mensais de uma empresa da área de limpeza pública durante sua segunda gestão à frente da prefeitura de Ribeirão para repassar ao diretório nacional do PT.

"Saiu a notícia do Buratti falando que o Palocci recebia R$ 50 mil todo mês e isso estressou o mercado na hora", comentou Flávio Ogoshi, operador de derivativos do Rabobank.

Na máxima do dia, o dólar avançou 4,16% e chegou a R$ 2,48 reais. Alguns exportadores aproveitaram o preço elevado e entraram vendendo dólares, ajudando a desacelerar a alta.

À tarde, a assessoria do Ministério da Fazenda divulgou nota em que o ministro negou "com veemência" ter recebido propina da empresa Leão Leão quando foi prefeito.

O mercado, no entanto, manteve a cautela. "Agora até que se prove o contrário, teremos que degustar isso no fim de semana e ver como abre o mercado na semana que vem", comentou Paulo Fujisaki, analista de mercado da corretora Socopa, sem descartar que a ausência de provas possa amenizar a pressão sobre o mercado na próxima semana.

Pouco fluxo

A baixa liquidez do mercado também pesou sobre as cotações. Devido à
cautela com o noticiário político, os investidores têm evitado fazer grandes apostas, disseram analistas.

O diretor de câmbio da corretora Novação, Mário Battistel, lembrou que o mercado já se mostrava pressionado na abertura pela expectativa com o depoimento de Buratti.

"E depois teve o problema do Palocci, e realmente estressou. Como o volume está pequeno, a volatilidade é maior", disse.

A aproximação do fim de semana também reforçou a cautela dos investidores por conta do receio de que as revistas semanais tragam novos fatos, acrescentou Battistel.

No mercado externo, os investidores monitoraram o maior ganho semanal do dólar frente ao euro desde março.

Ações

A Bovespa viveu nesta sexta um pregão volátil marcado pelas denúncias de corrupção contra Palocci.

As ações que mais caíram foram as preferenciais da Copel (4,44%) e as da Gerdau (4,03%). As maiores altas foram registradas pelas ações preferenciais da Eletropaulo (3,24%) e da VCP (2,46%).

O movimento financeiro do pregão foi de R$ 1,853 bilhão, em 70.163 negócios.


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