22/08/2005 - 17h42
Com Palocci, dólar cai a R$ 2,385, maior redução desde 2003; Bolsa sobe 2,32%
Da Redação
Com Reuters e Valor Online
Os mercados encerraram com sinais positivos o primeiro dia após a entrevista coletiva do ministro Antonio Palocci (Fazenda), que negou envolvimento em corrupção. Cotado em R$ 2,385, o dólar terminou em queda de 2,65% -o maior declínio diário desde 6 de janeiro de 2003. A queda na cotação indica que não há temor no mercado.
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) também ficou bem, fechando em alta de 2,32%, aos 27.260 pontos. Ao longo do dia, o principal índice do segmento acionário local oscilou da máxima de 27.282 pontos à mínima de 26.646 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 1,075 bilhão.
Os juros futuros também demonstraram a boa percepção do mercado, fechando em queda. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), o Depósito Interfinanceiro (DI) para setembro cedeu 0,01 ponto percentual, a 19,67% ao ano. Outubro deste ano declinou 0,03 ponto, a 19,63% anuais.
O contrato da virada do ano recuou 0,05 ponto, a 19,23% anuais. Abril de 2006 caiu 0,09 ponto e registrou 18,73% ao ano. A taxa para julho do próximo ano perdeu 0,11 ponto, a 18,48% anuais. O DI para janeiro de 2007 -mais negociado- cedeu 0,31 ponto, a 18,19% ao ano.
Boa repercurssão
Em entrevista no domingo, Palocci negou as acusações de que recebia dinheiro de uma prestadora de serviços quando era prefeito de Ribeirão Preto e abriu espaço para que o bom desempenho dos indicadores.
"O mercado recebeu bem a declaração de Palocci, ele se posicionou rápido, não deixou que houvesse uma repercussão maior", comentou o gerente de câmbio de um banco estrangeiro, que preferiu não ser identificado.
As acusações feitas na sexta-feira pelo advogado Rogério Tadeu Buratti, ex-assessor de Palocci, fizeram com que o dólar avançasse 2,9% e chegasse a R$ 2,45.
O mercado também recebeu de forma positiva os comentários do ministro, segundo os quais a política econômica não será alterada, independentemente de sua permanência no cargo.
Para Daniel Szikszay, gerente de câmbio do banco Schahin, o mercado ficou mais aliviado porque "amanheceu na segunda-feira com os devidos pingos nos 'is', pelo menos até agora".
Os analistas lembraram que a parte econômica continua separada da crise. "Palocci não resolve todo o problema, mas o mercado fica menos estressado e, além do mais, a economia está realmente separada da crise", comentou o gerente do banco estrangeiro.
Cautela continua
O gerente lembrou que a agenda política da semana está carregada e o mercado pode retomar a cautela, com mais volatilidade.
Na terça-feira, a CPI do Mensalão ouve o depoimento do presidente do PL e ex-deputado Valdemar Costa Neto, e a CPI dos Bingos ouve Marcelo Sereno, ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil. Na quarta-feira, o foco estará no depoimento de Buratti à CPI dos Bingos.
A semana também é decisiva para os processos de cassação dos deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP).
Na opinião de Hideaki Iha, analista de mercado da corretora Souza Barros, "podem aparecer outras denúncias, sim, não necessariamente em cima de Palocci".
No campo externo, o mercado acompanhou o enfraquecimento do dólar frente a outras moedas e o risco Brasil, medido pelo banco JP Morgan, que nesta tarde cedia 11 pontos, para 408 pontos-básicos sobre os Treasuries (títulos do Tesouro americano).
Bolsa
Na Bovespa, os investidores também reagiram positivamente à atitude do ministro da Fazenda. Os operadores interpretaram que a crise política não deve mudar os rumos da política econômica. O alívio dos agentes financeiros permitiu que o pregão local retomasse as perdas da ultima jornada.
"Palocci não somente negou enfaticamente as acusações, mas indicou também que a agenda econômica atual deve ficar como está, independente da sua permanência como ministro da Fazenda", destacou o Departamento de Pesquisa do Unibanco, em relatório divulgado hoje. Para os economistas do banco, isso deve ajudar a aliviar as preocupações do mercado com mudanças repentinas no curso das ações de política econômica.
"Não obstante, a incerteza continuará elevada enquanto as evidências, a favor ou contra as acusações, ainda estiverem ausentes", ponderam, no relatório.
O operador de um banco em São Paulo observou que "o mercado gostou da atitude do ministro de vir à imprensa, aberto a perguntas e agindo com clareza, embora o cenário de incertezas continue presente". Mas, assim como avaliado pelo relatório do Unibanco, o profissional apontou como fator positivo a sinalização de Palocci acerca da condução das ações econômicas.
Entre os destaques de alta do Ibovespa nesta sessão: Ipiranga Petróleo PN subiu 7,71%, a R$ 26,39; Tele Leste Celular PN ganhou 7,66%, a R$ 15,88; e Brasil Telecom Participações ON avançou 6,03%, a R$ 30,75. Entre as poucas quedas: Banco do Brasil ON EJ perdeu 0,95%, a R$ 36,15; e Aracruz PNB desvalorizou-se 0,68%, a R$ 8,75.
UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)