27/01/2006 - 20h13
Risco-país atinge nível mais baixo da história; Bolsa e dólar caem
Da Redação
Em São Paulo
O principal índice de percepção da confiança dos investidores estrangeiros no país sustentava-se em níveis históricos próximo ao encerramento dos negócios.
Por volta das 19h40, o EMBI+ brasileiro, indicador de risco do Brasil calculado pelo Banco JP Morgan Chase, recuava 0,77%, aos 259 pontos, no menor patamar da sua série histórica. Ontem, o risco-país marcou 261 pontos no fechamento.
No mercado secundário de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40 - papel mais negociado - apontava estabilidade, saindo a 130,188% do seu valor de face.
O segundo papel mais representativo do índice do JP Morgan, o Global 18 ou A-Bond (Amortizing Bond ou Bônus de Amortização), por sua declinava 0,11%, para 109,750% do seu valor de face.
Dólar a R$ 2,217
O dólar terminou a sexta-feira no nível mais baixo desde 7 de dezembro, numa sessão em que a divisa norte-americana manteve a tendência de baixa atenta ao cenário externo favorável. A moeda estrangeira terminou o dia vendida a R$ 2,217, com queda de 0,63%.
Nesta sexta-feira, o risco Brasil, medido pelo J.P. Morgan, passou o dia testando patamar abaixo dos 260 pontos-básicos, chegando a registrar 256 pontos. Além disso, o principal título da dívida brasileira negociado no exterior, o Global 40, foi cotado acima de 130% do valor de face durante todo o dia.
Na parte da manhã, o dólar vinha acentuando a trajetória de queda até a divulgação dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no último trimestre do ano. Numa reação imediata e inversa à do mercado externo, o dólar recuperou um pouco de força no mercado doméstico e atingiu a cotação máxima do dia a R$ 2,227, em queda de apenas 0,18%
A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 1,1% no quarto trimestre de 2005, o menor crescimento em três anos.
"Em relação ao PIB dos Estados Unidos, foi somente uma reação intempestiva do mercado", disse o gerente de câmbio do Banco Prosper, Jorge Knauer.
Ainda no final da primeira etapa dos negócios, no entanto, a divisa estrangeira voltou a perder força, tendência que foi acentuada após o anúncio do resultado do leilão de contratos de swap cambial reverso.
O Banco Central vendeu 2.950 contratos dos 4.250 oferecidos -numa operação que correspondeu a US$ 138,2 milhões.
"(A venda dos swaps) ficou bem abaixo do que o mercado esperava", disse o gerente de câmbio da Corretora Novação, José Roberto Carrera.
Isso fez com que o dólar ampliasse suas perdas ante o real, chegando a cair mais de 1% e a ser negociado a R$ 2,205.
Bovespa cai após beirar 39 mil pontos
A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em leve baixa nesta sexta-feira, em um movimento de realização de lucros, mas ainda assim acumulou alta de 3,33% na semana.
"Vejo como muito saudável essa realização de lucros. Já estava ficando preocupado com essa bolsa que não parava de subir", comentou Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor.
O destaque do dia foi o setor de siderurgia, que registrou ganhos acentuados depois que a maior siderúrgica do mundo, a Mittal Steel, fez oferta de U$S 22,8 bilhões pela rival Arcelor, dona da Arcelor Brasil.
O principal indicador da bolsa paulista encerrou em baixa de 0,51%, a 37.822 pontos, depois de fechar em recorde histórico na véspera. A queda foi puxada pelas blue chips Petrobras e Telemar . Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a avançar 2%. O volume financeiro da sessão foi o melhor do mês, R$ 3,12 bilhões.
"A oferta da Mittal foi emblemática para o setor. Não só para os papéis da Arcelor (Brasil), mas para o setor como um todo, porque mostra que esse movimento de consolidação vai acontecer de uma forma mais rápida do que se estava esperando", disse Gustavo Alcântara, gestor da Mercatto.
(Com Valor Econômico e Reuters)
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