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10/08/2006 - 18h26

Risco-país tem novo recorde de queda; dólar cai pelo 3º dia e Bolsa sobe

Da Redação
Em São Paulo
Nem a ameaça de novos ataques terroristas em aviões no Reino Unido abalou o mercado financeiro brasileiro, que fechou esta quinta-feira com indicadores favoráveis.

O risco-país bateu recorde de redução pelo segundo dia seguido, com 205 pontos. O dólar recuou pela terceira sessão consecutiva, caindo 0,37%, a R$ 2,16. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) subiu 0,26%, aos 37.353 pontos, com giro de R$ 2,248 bilhões.

O risco Brasil caiu 1,44% e atingiu novo nível mínimo histórico: 205 pontos. Com a manutenção dos juros americanos em 5,25% ao ano pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) na terça-feira, os grandes investidores estrangeiros voltam gradualmente a comprar ativos dos emergentes.

O risco, que serve como indicador do nível de segurança de se investir no país, avalia os títulos de dívida externa: ao atingir 205 pontos, e, significa que os bônus brasileiros oferecem uma taxa de retorno 2,05 pontos percentuais acima das pagas pelos treasuries (títulos do Tesouro norte-americano), que são os mais seguros do mundo.

Com as notícias sobre terrorismo, a Bovespa passou a maior parte do dia em queda, mas depois reagiu, acompanhando as Bolsas de Nova York.

A Eletrobras liderou os lucros no Ibovespa com altas de 6,95% em suas ações preferenciais e de 6,24% nas ordinárias.

Os papéis que mais recuaram foram os ordinários da Companhia Siderúrgica Nacional (2,80%), seguidos pelos similares da Sabesp (1,81%).

Câmbio

O dólar caiu pelo terceiro dia seguido, com os investidores mantendo o ritmo de vendas da moeda norte-americana.

A moeda americana recuou 0,37% e fechou a R$ 2,16, o menor nível desde 16 de maio deste ano, quando a moeda cedeu a R$ 2,135.

O contínuo ingresso de recursos no mercado compensou as preocupações no cenário internacional depois de a polícia britânica ter frustrado planos de explodir aviões que fazem a rota entre Reino Unido e Estados Unidos.

"Tirando algumas coisas pontuais, a tendência do dólar é de queda", resumiu o gerente de câmbio da Corretora Souza Barros, Marcos Forgione, destacando que o risco Brasil baixou para níveis históricos.

No fim da tarde, o risco-país cedia 1 ponto, a 206 pontos-básicos sobre os treasuries (títulos americanos).

"O Banco Central está atuando todos os dias, mas não vai conseguir conter (a queda do dólar)", completou Forgione.

Operadores disseram que o montante reduzido de dólares adquirido pelo BC nesta sessão também permitiu que a moeda norte-americana acentuasse a curva de declínio. A autoridade monetária aceitou entre quatro e seis propostas, com corte a R$ 2,1625.

No front internacional, as Bolsas de Valores européias fecharam em baixa.

Ingressos

Internamente, analistas disseram que o fluxo de ingressos deve permanecer forte, mesmo com perspectivas de o BC aumentar sua atuação para conter a desvalorização do dólar.

"A perspectiva de fluxo é grande, tanto por conta de exportador entrando, quanto por algumas captações que o mercado espera para os próximos dias", afirmou a diretora de câmbio da AGk Corretora, Miriam Tavares.

O gerente de câmbio da corretora Liquidez, Francisco Carvalho, completou que o mercado está bastante vendedor de dólar e, por isso, a moeda não tem força para subir.

Forgione, da Souza Barros, destacou que o fluxo de dólar que ingressa no país está mudando de perfil, deixando de ser principalmente de caráter especulativo, de curto prazo. "Esses capitais se tornam de mais longo prazo e até investimentos."

(Com informações de EFE, Folha Online e Reuters)

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