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17/08/2006 - 10h36

Guaranis bolivianos ameaçam fechar válvulas de gasoduto da Petrobras

Da Redação
Em São Paulo
Um grupo de cerca de cem índios guaranis ameaça invadir hoje e fechar válvulas de um gasoduto na Bolívia pertencente à Petrobras, em sociedade com outras empresas.

A estação do gasoduto é da companhia Transierra, no leste boliviano. A empresa é uma sociedade formada pela Petrobras, pela hispano-argentina Repsol YPF e pela francesa Totalfinaelf. Ela administra o gasoduto Yacuiba-Rio Grande, de 432 quilômetros de extensão e com capacidade de transporte de 11 milhões de metros cúbicos por dia.

A Estação Operacional de Parapetí, localizada no município de Charagua, departamento de Santa Cruz, é alvo de protesto dos integrantes de comunidades filiadas à Assembléia do Povo Guarani (APG).

Os indígenas, que sitiam as instalações desde terça-feira, exigem ressarcimento por danos ambientais e impacto social. Eles querem US$ 9 milhões, fruto de um convênio com a empresa, dos quais foram entregues apenas US$ 200 mil, segundo divulgou uma rádio local sem citar a fonte.

O presidente da APG, Wilson Changaray, disse que a empresa não cumpriu o compromisso, assinado no ano passado, de executar um Plano de Desenvolvimento Indígena pelos próximos 20 anos.

Eles deram um prazo até esta quinta-feira para que seja atendido seu pedido de compensação."Se não houver soluções, tomaremos outras medidas", disse Changaray. Ele sugeriu a possibilidade de invadir a estação de Parapetí e fechar as válvulas do gasoduto e bloquear a ligação com o norte da Argentina. As exportações para o Brasil não seriam afetadas, segundo fontes da empresa.

O líder guarani disse que, como a Transierra "não fez a sua parte", os indígenas querem o depósito dos recursos numa conta bancária.

Segundo a Transierra, sua participação no plano de desenvolvimento chega a US$ 9 milhões nos 20 anos previstos no acordo. "A empresa cumpriu, cumpre e cumprirá os compromissos assumidos com todas as comunidades localizadas na área de influência" do gasoduto, diz o seu comunicado.

O comunicado da empresa afirma que, apesar da presença dos índios, as operações são normais. A Transierra afirma que pagou pelo uso das terras ao longo dos 432 quilômetros do oleoduto, tanto a proprietários privados quanto aos habitantes das terras comunitárias de origem (TCO).

O acordo com a APG prevê "a implementação de programas e projetos, mediante administração conjunta, com uma contribuição anual média de US$ 450 mil", segundo a empresa, que argumenta que os valores "serão depositados com o tempo, de acordo com o desenvolvimento da operação" do gasoduto.

(Com informações de EFE e France Presse)