29/11/2006 - 20h08
Copom, sem surpresas, reduz taxa básica de juro em 0,5 ponto percentual
Da Redação
Em São Paulo
Em sua última reunião do ano, nesta quinta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decicidiu reduzir a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira) em 0,5 ponto percentual, de 13,75% para 13,25% ao ano, mantendo o ritmo adotado nos últimos encontros dos diretores da instituição.
O corte veio na proporção prevista pela maior parte dos operadores do mercado financeiro, segundo apontam a pesquisa semanal do BC e também levantamento feito pela agência Reuters com 27 analistas, dos quais 21 previam 0,5 ponto de redução na Selic.
No entanto, a decisão não foi unânime: dos oito diretores que votam, apenas cinco optaram por esse corte. Os outros três defenderam redução menor, de 0,25 ponto percentual.
A justificativa do comitê foi a seguinte: "Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 13,25% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual."
Este foi o 12º corte consecutivo na Selic. Desde setembro de 2005, o Copom vem reduzindo sistematicamente a taxa básica de juros da economia brasileira em suas reuniões, com cortes variando entre 0,5 e 0,75 ponto percentual.
Mesmo com a Selic no menor percentual desde a primeira reunião do Copom, em 1996, os juros reais do Brasil continuam sendo os maiores do mundo.
Segundo estudo da Up Trend Consultoria Econômica, com o corte de 0,5 ponto percentual, os juros reais (quando desconta-se a taxa de inflação do período analisado) no país recuam a cerca de 8,7% ao ano. No ranking de países com maiores juros, a Turquia, que figura na segunda posição, tem taxa real de 6,8% ao ano.
Além disso, a Selic é apenas uma referência ao mercado, já que as taxas de juros cobradas pelos bancos e financeiras da população e das empresas são muito mais altas.
Oficialmente, a taxa Selic é utilizada pelo governo no controle de sua política econômica, que tem com um dos pilares o programa de metas de inflação. Taxas de juros mais altas tendem a desestimular o consumo e controlar a alta de preços. A meta de inflação do governo para 2006 é de 4,5% ao final do ano. O mercado prevê, no entanto, que a inflação encerre o ano em torno de 3%, abaixo, portanto, da meta.
O próximo encontro do comitê só ocorrerá em 2007, nos dias 23 e 24 de janeiro.
(Com informações do Valor Online)