A economia brasileira cresceu apenas 0,5% no terceiro trimestre do ano em relação aos três meses anteriores. No ano, a alta do PIB (Produto Interno Bruto), que mede a produção de todas as riquezas e o crescimento do país, acumula 2,5%.
As informações foram divulgadas nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), confirmando as estimativas de mais um período fraco.
Analistas financeiros ouvidos em pesquisa semanal do Banco Central prevêem que o PIB do Brasil termine o ano com
alta de 2,94%. Isso é
menos de um terço dos 10,6% que podem ser atingidos pela China, um país emergente como o Brasil e integrante do grupo conhecido como Bric (Brasil, Rússia, China e Índia).
Comparação com 2005 Em relação terceiro trimestre período do ano passado, o PIB brasileiro avançou mais: 3,2%. Já no acumulado dos últimos quatro trimestres (12 meses) em comparação a igual período imediatamente anterior, o crescimento chegou a 2,3%.
Economistas consultados pela agência Reuters previam expansão de 0,56% no período de julho a setembro frente ao trimestre anterior. Na comparação anual, a projeção era de taxa de crescimento de 3,4%.
"(Veio) em linha com a expectativa, mas não é um resultado bom e corrobora nossa estimativa de um PIB fraco no ano que é de 2,8%. Para 2007, nosso prognóstico é de 3,2%", afirmou Debora Nogueira, economista da Rosenberg & Associados.
"Para melhor bem e seguir rumo aos 5% que o governo fala, nós precisaríamos de reformas que não vemos acontecendo no curto prazo."
Indústria fraca; investimento melhorOs dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, mostraram a indústria ainda fraca, mas certo vigor dos investimentos —como antecipou na véspera o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Do 2º para o 3º trimestre deste ano, a indústria avançou 0,6% e os serviços tiveram progressão de 0,4%. Já o setor de agropecuária cresceu 1,1% no período.
Por outro lado, a formação bruta de capital fixo (indicativo dos investimentos feitos no país) aumentou 2,5% frente ao trimestre anterior, quando houve redução de 0,2%.
O consumo das famílias, que tem peso aproximado de 60% no cálculo do PIB, teve acréscimo de 0,5%. "Considerando a demanda interna, o consumo das famílias continuou, pelo 13º trimestre consecutivo, apresentando variação positiva", apontou o IBGE em nota.
O consumo do governo ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. As exportações de bens e serviços avançaram 8,6% e as importações tiveram acréscimo de 8,5% em relação ao segundo trimestre.
Frente ao mesmo trimestre do ano passado, a agropecuária foi o setor que se destacou, com crescimento de 7,8%.
"O crescimento deve-se ao desempenho positivo, em 2006, de produtos como o café e a cana-de-açúcar", explicou o IBGE.
Na comparação aos resultados de 2005, a indústria teve expansão de 3%, com destaque para a construção civil, e os serviços avançaram 2,2%. O consumo das famílias aumentou 3,4%, impulsionado pela elevação de 4,6% da massa salarial real no trimestre. Já o consumo do governo cresceu 2% nesse termo de comparação.
O IBGE revisou ainda para baixo o crescimento do segundo e do primeiro trimestres deste ano, na comparação com o período imediatamente anterior. No caso do segundo trimestre, a expansão foi revista de 0,5% para 0,4%. Para o primeiro trimestre, o avanço passou de 1,3% para 1,2%.
Os cálculos do desempenho do PIB levam em conta os ajustes sazonais (que descartam fatores específicos de cada período, como a existência de feriados, para fazer uma comparação mais equilibrada).
(Com informações da Reuters e do Valor Online)