08/12/2006 - 10h35
Comida sobe, mas inflação oficial recua para 0,31% em novembro
Da Redação
Em São Paulo
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, fechou o mês de novembro com alta de 0,31%, percentual pouco abaixo do esperado pelo mercado, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.
Em outubro, o índice (utilizado pelo governo no sistema de metas de inflação de sua política econômica) tinha subido 0,33%.
Analistas consultados pela Reuters esperavam uma alta de 0,35% para o índice no mês passado. Já a última pesquisa realizada semanalmente pelo Banco Central (BC) com operadores do mercado projetava uma previsão média de 0,36% para o índice de novembro.
A elevação de 1,05% nos preços médios dos produtos alimentícios teve impacto no comportamento da alta de 0,31% do IPCA em novembro.
"O grupo Alimentação e Bebidas foi responsável por cerca de 70% do índice do mês de novembro. Em período de entressafra, o tomate chegou a ficar 29,63% mais caro. O consumidor passou a pagar mais também pelo arroz (5,32%) com feijão (3,03%), além do frango (5,77%)", salientou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em nota. O óleo de soja e a farinha de trigo viram alta da ordem de 5%.
Além disso, o incremento de 4,63% no preço do cigarro refletiu-se no resultado do IPCA do mês passado. Esse avanço foi decorrente dos reajustes registrados em Porto Alegre (9,17%), São Paulo (8,18%) e Curitiba (6,89%). Assim, conforme o IBGE, "cigarro e tomate, com 0,04 ponto percentual cada, constituíram-se nas maiores contribuições individuais" no índice de preços do penúltimo mês de 2006.
A pesquisa mostrou ainda uma elevação de 0,65% no ramo Vestuário e de 0,75% em planos de saúde, próximas daquelas vistas em outubro, de 0,64% e 0,76%, respectivamente. Quanto aos combustíveis, os preços do álcool declinaram menos em novembro do que um mês antes, mas a gasolina cedeu um pouco mais (de uma baixa de 0,11% para uma de 0,17%).
O IBGE apontou ainda diminuição na energia elétrica, de 0,57%, e nos remédios, de 0,17%.
Com relação aos índices regionais, o maior resultado foi registrado em Curitiba (0,63%), região em que vários itens importantes no orçamento das famílias subiram acima da média como o álcool, a gasolina, os remédios e os alimentos. Em compensação, o menor índice foi apurado em Porto Alegre (elevação de 0,13%). Em outubro, essas localidades viram inflação de 0,50% e 0,31%, respectivamente.
Inflação acumulada
Pelos dados divulgados hoje, verifica-se que a inflação no país continua comportada e a variação acumulada no ano está bem abaixo da meta fixada pelo governo. De janeiro a novembro, o IPCA acumula avanço de 2,65%. Entre esses mesmos meses de 2005, a inflação havia sido bem maior, de 5,31%.
Nos últimos 12 meses, o índice acumula alta de 3,02%. Esta é a menor taxa desde fevereiro de 1999, quando o IPCA acumulado nesse mesmo período ficou em 2,24%.
Para o ano, ao final de dezembro, os analistas consultados pelo BC prevêem uma inflação de 3,15%. A política econômica do governo estabelece como meta oficial de inflação uma variação de 4,5% no ano, com margem de flutuação de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo.
O IPCA é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) desde 1980 e leva em consideração a variação de preços de produtos comumente consumidos por famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília.
(Com informações da Reuters e do Valor Online)
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