01/02/2007 - 21h44
Exxon Mobil bateu recorde de lucro em 2006

Víctor Martin
Nova York, 1 fev (EFE).- O gigante petrolífero Exxon Mobil, a
maior empresa cotada em bolsa do mundo, marcou em 2006 um novo
recorde, ao obter um lucro de US$ 39,5 bilhões, número nunca
atingido por uma empresa americana.
Os espetaculares lucros da Exxon e de outras petrolíferas se
transformaram nos últimos dois anos nos Estados Unidos no alvo
favorito contra o qual políticos e legisladores lançavam seus
dardos, principalmente se seu anúncio coincidia com períodos
eleitorais.
Os elevados preços da gasolina e de outros combustíveis para o
transporte ou a calefação, que minguavam o poder aquisitivo dos
consumidores e taxavam os orçamentos das empresas, contrastavam com
os afortunados lucros trimestrais e anuais divulgados pelas
petrolíferas.
Os executivos dessas companhias se defenderam freqüentemente dos
ataques alegando que o negócio energético requer grandes
investimentos e estratégias a médio ou longo prazo e que sua missão,
como em outras empresas privadas, era obter o máximo lucro para seus
acionistas.
Esse foi precisamente um dos aspectos destacados hoje por Rex
Tillerson, presidente da Exxon, ao divulgar os resultados do último
trimestre e de todo o exercício do último ano.
"A corporação distribuiu um total de US$ 32,6 bilhões aos
acionistas em 2006 através de dividendos e compras de ações (..), o
que representa um aumento de 41% e de US$ 9,4 bilhões em relação à
2005", assinalou em comunicado.
Tillerson ressaltou que no ano passado foram direcionados para
investimentos de capital e projetos de prospecção US$ 19,9 bilhões,
12% a mais que em 2005, e que investimentos anteriores a longo prazo
aumentaram em 4% a produção, os que equivale a 172.000 barris
diários de petróleo.
No conjunto do exercício anual, o lucro líquido da Exxon cresceu
9% e alcançou US$ 39,5 bilhões ou US$ 6,62 por ação, frente a um
ganho de US$ 5,71 por título no ano anterior.
Barry James, presidente da James Advantage Funds, comentou no
canal financeiro "CNBC", que a companhia provavelmente porá o lucro
obtido nas mãos de seus acionistas e ressaltou que a Exxon é muito
cuidadosa com os acordos que faz e onde investe seu capital.
No ano de 2005, a companhia petrolífera tinha marcado outro
recorde ao fechar o exercício com um lucro líquido de US$ 36,1
bilhões, um número que agora ficou superado devido em grande parte
aos elevados preços do petróleo e dos combustíveis em 2006.
O preço do barril de petróleo WTI ficou em uma média de US$ 66,02
no ano passado e em 14 de julho alcançou um recorde histórico de US$
78,40, devido em grande medida às tensões que se viviam naquela
época no Oriente Médio.
Os investidores de Wall Street não pareciam, no entanto, muito
impressionados hoje com os altos lucros anuais da Exxon e suas ações
subiram US$ 0,60 na metade do pregão da bolsa nova-iorquina, quando
eram negociadas a US$ 74,70 por título.
Os meios de imprensa financeiros ressaltavam hoje também que o
lucro da Exxon no quarto trimestre caiu 4% e ficou em US$ 10,250
bilhões, com uma ganho por ação de US$ 1,76, cinco centavos a mais
que no ano passado.
Os preços do petróleo se estabilizaram no último trimestre em
torno de US$ 60 e durante janeiro se movimentaram na faixa dos US$
50.
A Agência de Informação de Energia (EIA), que é a divisão
estatística do Departamento de Energia dos EUA, estima que o barril
de petróleo WTI ficará este ano em um preço médio de US$ 64,42 e em
US$ 64,58 em 2008.
Resta saber se as previsões de preços mais moderados do petróleo
e de um crescimento da demanda global mais suave que em exercícios
anteriores, vão fazer com que os lucros das petrolíferas percam o
destaque que vem recebendo durante o presente exercício.