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06/03/2007 - 10h08

Warren Buffet, o rei dos investidores, procura sucessor

Alejandro Fernández Nova York, 6 mar (EFE).- Warren Buffet é o segundo homem mais rico e um dos maiores filantropos do mundo desde que, no ano passado, decidiu doar a maioria de sua fortuna a causas beneficentes, mas agora enfrenta um desafio maior: encontrar um sucessor.

Aos 76 anos, o magnata - conhecido como "Oráculo de Omaha", que levantou um gigantesco império financeiro às custas de inteligência, paciência e intuição - se dispõe a escolher quem o substituirá no comando do fundo de investimentos de sua firma Berkshire Hathaway, algo para o que não faltam dificuldades.

Em sua tradicional carta anual aos acionistas, na qual, junto com brincadeiras e lembranças de todo tipo, divulga os resultados da companhia em 2006, Buffett explica que já existe uma vaga para o cargo de executivo-chefe de sua empresa.

No entanto, admite que ainda não encontrou um sucessor apropriado para a tarefa de escolher as ações e investimentos que devem fazer parte do fundo, trabalho que fez dele merecedor do respeito e da admiração de Wall Street, à parte de seus bilhões de dólares.

Buffet diz que Lou Simpson, gerente do setor de investimentos da seguradora Geico, filial da Berkshire Hathaway, era visto como o candidato ideal para substituí-lo, mas é "apenas seis anos mais jovem que eu".

"Se morresse em breve, ele ocuparia meu lugar de maneira magnífica, mas por um período muito curto", lamenta Buffett em sua carta.

Por isso, o magnata explica que a intenção da empresa é encontrar um ou mais executivos jovens capazes de conduzir uma bolsa de investimentos como a Berkshire Hathaway.

"Escolher a pessoa adequada não será fácil. Não é difícil encontrar pessoas inteligentes, algumas delas com currículos verdadeiramente impressionantes. Mas o sucesso a longo prazo tem a ver com algo que vai além da inteligência e dos resultados de curto prazo", acrescenta.

"Com o tempo, os mercados fazem coisas estranhas, extraordinárias. Um simples erro pode acabar com uma longa série de sucessos. Por isso, precisamos de alguém que geneticamente esteja programado para reconhecer e evitar riscos sérios, inclusive aqueles que nunca aconteceram antes", afirma Buffett.

"Pensamento independente, estabilidade emocional e um profundo conhecimento do comportamento humano e institucional é vital para o êxito a longo prazo. Através dos anos conheci muita gente brilhante que carece destas virtudes", conclui.

O fato de o rei dos investidores estar buscando seu sucessor desperta todo tipo de especulações e até brincadeiras em Wall Street, onde alguns consideram que o melhor seria fazer um "reality show" com candidatos variados.

O certo é que, embora não tenham sido fornecidos detalhes da busca, os entendidos dizem que levando em conta o estilo de Bufett, o mais provável é que a escolha aconteça de forma particular.

Por ora, o magnata assegurou se sentir "ótimo e, de acordo com todos os exames, com uma excelente saúde". Buffet acrescenta, referindo-se à sua famosa antidieta de fast-food, que "é surpreendente o que os hambúrgueres e a Cherry Coke podem fazer".

Para efeitos da distribuição de seus bens após a morte, o bilionário estima que viverá pelo menos 12 anos, "embora sempre espero que seja um pouco mais".

Buffett deseja que após sua morte, 85% de sua fortuna - ou seja, cerca de US$ 37 bilhões, de acordo com o declarado em junho - seja distribuída entre cinco fundações em um prazo não superior a 13 anos.

Dos cinco grupos favorecidos, a maior doação será destinada à Fundação de Melinda e Bill Gates, que o precede como o homem mais rico do mundo, e cuja organização levará 80% desse montante.

Além da instituição administrada pelo proprietário da Microsoft e por sua esposa, as outras organizações beneficiadas levam o nome da esposa e dos três filhos de Buffett, que, segundo as primeiras apostas, não figuram na corrida da sucessão de seu pai como "oráculo" da empresa familiar.

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