Para reforçar as relações bilaterais e a influência dos Estados Unidos sobre a América Latina, o presidente norte-americano George W. Bush realiza entre esta quinta-feira (dia 8) e a quarta-feira da semana que vem (dia 14) uma visita a cinco países do subcontinente (Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México). Em sua segunda visita oficial ao Brasil, Bush chega com um grande tema para discussão: o etanol, mais conhecido como álcool combustível em nosso país.
| PAUTA DA VISITA DE BUSH |
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| Possibilitar a criação de um mercado internacional estável para o etanol, tornando o combustível uma commodity global |
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| Diante do congelamento das negociações da Alca, questão energética passa a ser bandeira para a aproximação entre os países |
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| Firmar um convênio que permita a transferência de tecnologia para um ou mais países da América Central e Caribe |
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| Estabelecer bases para a formação de convênios em pesquisa e desenvolvimento tecnológico no campo dos biocombustíveis |
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| Viabilizar a formação de parceiras público-privadas entre os governos e empresas de EUA e Brasil para investimentos na área |
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| Brasil tem interesse em oportunidades de negócio com a venda de equipamentos, tecnologia e prestação de serviços no setor, mesmo sem ampliar exportação de etanol |
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Nesta sexta-feira, quando Bush encontra-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em São Paulo, estarão na mesa de negociações diversas questões relacionadas ao etanol, sendo a principal delas a proposta de criação de um mercado internacional regular do combustível vegetal.
Brasil e Estados Unidos são, hoje, responsáveis pela produção de 70% de todo etanol consumido no planeta (aproximadamente 35 bilhões de litros por ano). No entanto, ainda não existem negociações regulares deste produto.
Dessa forma, a idéia é transformar o etanol em uma commodity, isto é, em um produto padronizado que tem comercialização internacional regular, como é o caso do petróleo, do milho e do café, entre outros.
Para isso, é necessário, justamente, fazer com que o etanol negociado entre os países seja um produto padronizado, que se enquadre às regras do mercado e possa ser fornecido por qualquer país, garantindo-se que a qualidade sempre estará de acordo com os padrões estabelecidos.
Hoje, Brasil e Estados Unidos têm fontes diferentes para a produção do etanol, sendo que aqui a matéria-prima utilizada é a cana-de-açúcar, enquanto lá, é o milho. Apesar disso, o produto tem potencial para enquadrar-se em padrões internacionais.
Essa abertura de um mercado regular para o etanol garantiria a formação de um campo consumidor mais amplo e acrescentaria garantias de que os países fornecedores do combustível se submetam às regras internacionais de comercialização.
Mercado comumA formação desse mercado para o etanol seria um importante passo na direção da integração comercial mais ampla entre os dois países, que é um dos objetivos dos EUA.
Com o fracasso das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), que integraria todos os países das Américas, com exceção de Cuba, os entendimentos em torno do mercado do etanol são considerados por Washington uma retomada de esforços em direção ao entendimento regional.
Outra questão que certamente estará em pauta nas discussões encabeçadas por Bush e Lula é a cooperação bilateral na área de pesquisa e desenvolvimento científico e tecnológico em relação ao combustível.
O Brasil, por exemplo, tem especial interesse em participar de pesquisas que buscam simplificar a extração de etanol a partir da celulose, o que permitiria aos produtores brasileiros extrair álcool do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, e não somente do caldo da cana, como ocorre hoje. Além disso, a parceria pode gerar novas tecnologias que tornem a extração do etanol mais produtiva.
"Esse acordo, se realmente tocar nesses aspectos, pode ser muito interessante para o país", afirmou Alfred Szwarc, consultor da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).
Questão políticaA visita de Bush também se reveste de objetivos políticos, como a busca em dar subsídios à recente guinada de seu governo à valorização das questões ambientais.
Diante das crises geradas pelos problemas dos EUA em razão de seu envolvimento nas guerras do Iraque e do Afeganistão, que foram uma das razões para a derrota do partido Republicano de Bush nas últimas eleições parlamentares, o presidente americano passou a defender um maior engajamento de seu país na proteção do meio ambiente.
Em janeiro último, durante o discurso anual sobre o Estado da União no Congresso norte-americano, Bush defendeu, entre outras questões, que seu país adote até 2017 o uso de 20% de biocombustíveis em substituição à gasolina.
Atrás do discurso ambiental também aloja-se o objetivo político, que é a intenção de reduzir a dependência dos EUA em relação à importação de petróleo.
Bush quer reduzir o poder de países produtores de petróleo, como é o caso da Venezuela, do presidente Hugo Chávez, e do Irã, do presidente Mahmoud Ahmadinejad.
"Além dos benefícios ambientais, esses biocombustíveis podem ser renovados ano a ano e podem ajudar a nossa economia no setor agrícola quanto à dependência de combustíveis fósseis. Esses serão os combustíveis do futuro nesse país", afirmou Bush em discurso recente durante um fórum agrícola, segundo a Agência Brasil.