15/05/2007 - 11h01
Quem ganha e quem perde com o dólar abaixo de R$ 2

Por Silvio Cascione
SÃO PAULO, 15 de maio (Reuters) - A queda do dólar abaixo de R$ 2 pela primeira vez desde fevereiro de 2001 tem resultados diferentes nos diversos setores econômicos.
Industriais queixam-se, por exemplo, da perda de competitividade no comércio exterior enquanto empresas de turismo torcem para que a moeda norte-americana recue ainda mais.
Veja a seguir alguns dos setores mais favorecidos ou prejudicados pelo real valorizado.
Turismo
Com a valorização do real, os brasileiros têm maior poder de compra no exterior, o que incentiva as viagens internacionais.
Segundo dados do Banco Central, os gastos dos turistas no exterior totalizaram US$ 5,8 bilhões em 2006, ante US$ 4,7 bilhões em 2005. O valor do ano passado foi o maior desde 1998, quando o dólar valia cerca de R$ 1.
Para a CVC, uma das maiores empresas do ramo no Brasil, 2007 "vai ser o ano internacional dentro da operadora". A empresa pretende aumentar de 20% para 30% a participação das viagens internacionais nas vendas de pacotes, segundo a assessoria de imprensa.
Exportações
A queda do dólar deixa os produtos do país mais caros nos mercados internacionais, o que tira a competitividade da indústria brasileira e afeta as exportações.
O setor têxtil e de confecção, por exemplo, teve déficit comercial de US$ 91 milhões em março, pior resultado mensal desde novembro de 1997, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Esse valor é mais de 9 vezes superior ao saldo negativo registrado no mesmo mês do ano passado, de US$ 9,7 milhões.
Menos competitivo, o país já assiste à diminuição do superávit comercial. A previsão do mercado para 2007 é de saldo positivo de US$ 40,55 bilhões, ante US$ 46,074 bilhões registrados em 2006. Até abril, o superávit no ano é de US$ 12,986 bilhões.
Comércio popular
Ao mesmo tempo em que dificulta as exportações, a valorização do real torna os produtos importados mais baratos. Para o presidente da Associação Brasileira de Importadores de Produtos Populares (Abipp), Gustavo Dedivitis, a queda do dólar é uma oportunidade para aumentar a qualidade desse tipo de produto, vindo principalmente da China.
"Com a queda do dólar você consegue fazer melhores compras. Você consegue imprimir qualidade no mercado popular, nas classes D e E, e isso ajuda a se diferenciar no mercado", disse à Reuters.
Contudo, ele não vê com bons olhos a continuidade da queda do dólar. Ele teme que o governo, preocupado em "preservar os fabricantes nacionais", possa aumentar a burocracia sobre a compra de produtos estrangeiros.
Agricultura
O setor agrícola é um dos principais afetados no Brasil pelo real valorizado, por ter boa parte de suas vendas atrelada à moeda norte-americana. O câmbio afeta diretamente a rentabilidade dos produtores e tem sido acusado de ser, nos últimos anos, um forte agravante da crise vivida pelo setor.
Por outro lado, o dólar mais barato tende a reduzir os gastos com insumos como fertilizantes, que são importados na sua maioria.
(Colaboraram Inaê Riveras e Vanessa Stelzer)
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