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15/05/2007 - 10h06

Agência de notícias Reuters acerta venda por US$ 17 bi e forma novo gigante do setor

Da Redação
Em São Paulo
O grupo britânico Reuters aceitou nesta terça-feira uma oferta de compra de 8,7 bilhões de libras (US$ 17,3 bilhões, ou R$ 34,65 bilhões) da concorrente canadense Thomson.

O negócio resultará na criação da maior empresa mundial do setor de informações financeiras, à frente da norte-americana Bloomberg. O novo gigante se chamará Thomson-Reuters.

As empresas afirmaram que a união é "natural", na medida em que as duas partes trabalham com informações financeiras: a Reuters, em tempo real, e a Thomson, com dados históricos.

Para a Thomson, a combinação das duas companhia traz força a seus negócios de serviços de informação. Para a Reuters, ela reduz a suscetibilidade aos cíclicos serviços financeiros.

US$ 500 milhões por ano
A união permitirá às duas empresas economizar US$ 500 milhões por ano a partir de três anos depois da fusão, de acordo com o comunicado.

A Reuters Founders Share Company, responsável por garantir a independência editorial do grupo e que pode bloquear qualquer compra graças a um "golden share" que lhe garante 30% dos direitos de voto em uma assembléia geral, apóia a oferta de aquisição da Thomson, informou o grupo britânico em um comunicado.

Conclusão não é segura
A operação ainda precisa ser aprovada pelas autoridades que regulam a concorrência no mundo, assim como pelos acionistas da Reuters. O comunicado destaca que a conclusão da operação, portanto, não é segura.

O presidente-executivo da Reuters, Tom Glocer, disse que reduções de operações poderão não ser necessárias. "Eu não espero que nós precisemos fazer qualquer desinvestimento", disse o executivo, em conferência com jornalistas. Ele comandará a empresa, enquanto David Thomson, presidente de Thomson, assumirá a presidência do grupo.

"Os temas de regulamentação são o principal obstáculo que se deve superar para permitir a finalização da transação", afirmou Charles Peacock, da corretora Seymour Pierce.

Por um
A família Woodbridge de Toronto, que controla 70% do grupo Thomson, respalda a transação e, caso o processo seja concretizado, terá 53% do novo grupo. Os outros acionistas da Thomson ficarão com 23% e os da Reuters com 24%.

O novo grupo Thomson-Reuters terá cotação nas bolsas de Toronto e Londres. Por apenas um ponto percentual de diferença, estará à frente da Bloomberg: concentrará 34% do mercado de informações financeiras, contra 33% da norte-americana. De acordo com estimativas, o novo grupo terá US$ 11 bilhões em volume de negócios.

A Thomson financiará a operação com a venda, anunciada sexta-feira passada, de suas atividades educativas por US$ 7,75 bilhões.

Setor em ebulição
Embora conhecida mundialmente como uma agência de notícias de informação geral, com 2.400 jornalistas em 131 países, a Reuters obtém mais de 90% de seus recursos abastencendo bancos, empresas de câmbio, bolsas e fundos de investimentos com vários dados em tempo real (cotações da bolsa, taxas cambiais, matérias-primas, obrigações), assim como com os sistemas de intercâmbios.

A fusão aumentará a influência da agência Thomson Financial, criada ano passado com a compra junto à AFP da empresa especializada AFX News.

O setor está em ebulição desde a oferta de US$ 5 bilhões da News Corp, grupo do magnata Rupert Murdoch, pelo Dow Jones, proprietário da agência de notícias do mesmo nome e do Wall Street Journal.

(Com informações de France Presse e Reuters)
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Perfil: Richard Harrington, presidente-executivo da Thomson
Perfil: Tom Glocer, presidente da Reuters
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