24/05/2007 - 11h13
Objetivo do Google de ajudar a organizar vida das pessoas causa preocupação

Londres, 24 mai (EFE) - O objetivo anunciado pelo Google, o maior
site de buscas do mundo, de ajudar as pessoas a organizar suas
vidas, uma espécie de "Big Brother" do bem, causa preocupação nos
defensores da privacidade.
A empresa americana pretende criar a mais completa base de dados
de informações pessoais sobre seus usuários.
O objetivo, como explicou esta semana no Reino Unido o presidente
do Google, Eric Schmidt, é ajudar os usuários a decidir, por
exemplo, como usar seu tempo livre no dia seguinte ou qual trabalho
escolher em determinado momento da vida.
Fontes do Google no Reino Unido disseram que, por enquanto, não
há um projeto concreto, mas simplesmente uma proposta apresentada em
1º de maio, denominada "iGoogle".
O produto é uma espécie de Google personalizado com acesso ao
histórico de buscas do usuário, ao e-mail do Gmail e ao calendário.
O Google reconhece que o projeto está em fase adiantada no
gerenciamento da informação que a empresa conseguiu reunir sobre
seus usuários.
"Os algoritmos vão melhorar e com eles, a personalização", disse
Schmidt.
A intenção do Google foi anunciada ao mesmo tempo em que foi
divulgada a informação de que a empresa investiu cerca de US$ 4
milhões em uma pequena firma de pesquisa genética chamada 23andMe.
Uma das fundadoras desta companhia, Anne Wojcicki, casou-se no
começo de maio com Sergey Brin, co-fundador do Google.
A combinação do perfil genético e do histórico de internet de uma
pessoa podem tornar-se uma importante ferramenta para determinar o
comportamento futuro de qualquer usuário da rede.
Este ano, o principal rival do Google, o Yahoo!, revelou seu
próprio projeto de tecnologia de busca, conhecido como Projeto
Panamá, que analisa os principais interesses dos visitantes em seu
portal de internet para elaborar, com eles, um perfil pessoal.
Os defensores da privacidade temem que o acúmulo de dados
pessoais na internet represente uma invasão crescente e clandestina
das liberdades civis.
A preocupação foi intensificada, segundo o jornal "The
Independent", pela oferta de US$ 3,1 bilhões lançada pelo Google
sobre a companhia de publicidade na internet DoubleClick.
A companhia consegue elaborar a imagem do comportamento de uma
pessoa, combinando o histórico de busca na rede com informação dos
cookies, códigos que permitem conhecer os interesses dos usuários
segundo as páginas que visitam.
De acordo com o jornal, o organismo que representa as agências
européias de proteção de dados pessoais escreveu ao Google para
solicitar mais informação sobre sua prática de retenção de dados.
Um porta-voz do organismo britânico de proteção de dados não
confirmou o conteúdo da carta e limitou-se a dizer que se tratava de
uma resposta ao anúncio feito pelo Google de que não reterá
informação pessoal dos usuários por mais de dois anos.
Em várias análises e editoriais hoje, a imprensa britânica
demonstra preocupação com a quantidade de informação que o Google já
manipula graças a várias bases de dados.
As informações abrangem desde os conteúdos dos e-mails do Gmail
até as buscas realizadas pelos usuários ou detalhes dos cartões de
crédito no sistema de pagamento pela internet Google Checkout.