A indústria brasileira vendeu 2,7% a mais no primeiro semestre do que no mesmo período do ano passado, diz pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Em junho, houve queda de 4,5% na comparação com um ano antes, e alta de 0,2% em relação a maio, em cálculo que não ajusta as especificidades de cada mês.
Os números da CNI, sobre vendas, diferem daqueles divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última sexta-feira, sobre produção, que apontou uma alta de 4,8% no semestre, na comparação com a primeira metade do ano passado.
| Dados do IBGE sobre a produção industrial no país, divulgados na última sexta-feira, e em cada região, anunciados hoje, são mais positivos do que os da CNI, que são sobre vendas. O IBGE aponta um crescimento de 4,8% na produção do primeiro semestre, em comparação com um ano antes, e vê expansão em todas as 14 regiões pesquisadas. As instituições utilizam metodologias diferentes |
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| IBGE: MAIS OTIMISTA |
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Os indicadores da CNI são levantados mensalmente em 12 Estados, com base em dados apurados em grandes e médias empresas. Os do IBGE cobrem 14 regiões do país.
Para Paulo Mól, economista da CNI, a alta das vendas no semestre é positiva, mas "poderia ter sido melhor" se não fosse a valorização do real. De janeiro a junho, o dólar caiu 9,4%.
Ele reiterou que o desempenho da indústria tem ocorrido de forma muito discrepante entre setores. O de "alimentos e bebidas", por exemplo, cresceu 7% no primeiro semestre e o de "máquinas e equipamentos" teve alta de 14,8%. Em compensação, segmentos como o de "materiais eletrônicos e de comunicação" e "outros equipamentos de transportes" recuaram 20,7% e 27,5%, respectivamente.
AcomodaçãoNa visão da entidade, os dados gerais do setor indicam apenas uma "acomodação", após cinco meses consecutivos de crescimento das vendas ante 2006, e a tendência para o segundo semestre ainda é de elevação da atividade industrial.
O recuo de junho reflete uma base de comparação forte e tende a ser pontual, segundo a CNI. "Em junho de 2006, houve uma expansão significativa e pontual das vendas de 'outros equipamentos de transporte', o que elevou a base de comparação", afirmou a entidade em nota, acrescentando que a valorização do real também vem restringindo o desempenho das empresas exportadoras.
Uso da capacidade caiO uso da capacidade instalada caiu de 82,6% em maio para 82,2% em junho, e "ainda está alto", afirmou Mól. No entanto, ele enxerga "indícios muito claros de expansão de investimentos" e prevê que o uso da capacidade instalada deverá permanecer mais alto do que em 2006.
A medição da capacidade instalada indica qual o percentual da produção em relação ao potencial de produção. Trata-se de um sinal de quanto a indústria pode crescer sem precisar aumentar os preços. Quando maior o uso, menor a possibilidade de a indústria atender a um crescimento de demanda sem provocar inflação.
Mas uma queda da capacidade nem sempre é um dado bom. Em alguns casos, pode significar retração da produção.
(Com informações da Reuters)