Bancos centrais de Estados Unidos, Europa e Ásia injetaram no mercado de seus países quantias acima da média nos últimos dias, com o objetivo de acalmar os investidores, preocupados com a turbulência nas Bolsas de Valores.
Apenas nesta sexta-feira, o Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) injetou dinheiro no mercado duas vezes. A primeira, no valor de US$ 19 bilhões. Depois, mais US$ 16 bilhões. Nesta semana, o aporte total foi de US$ 84,5 bilhões, número 78% superior aos US$ 50,25 bilhões na semana anterior.
A crise do mercado de hipotecas norte-americano é o motivo da turbulência mundial das Bolsas, fato que leva os bancos centrais a aumentarem a liquidez (quantidade de dinheiro disponível) de forma conjunta.
| ENTENDA O CHOQUE IMOBILIÁRIO |
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 Infográfico mostra como a crise dos imóveis nos EUA interfere no resto do mundo. Veja |
Nesta sexta-feira, o Banco Central Europeu (BCE) injetou 61,05 bilhões de euros, equivalente a US$ 83,4 bilhões, ou R$ 160,7 bilhões, em oferta que se estende por três dias.
Ontem, a instituição já havia aportado € 94,84 bilhões (US$ 129,5 bilhões, ou R$ 249,6 bilhões). O objetivo é "assegurar condições em ordem no mercado aberto da zona do euro", disse o BCE, em nota.
O total das operações supera as injeções de recursos feitas pelo BCE imediatamente após os ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA. Naquela época, 69,3 bilhões de euros (US$ 94,7 bilhões) foram colocados no overnight em 12 de setembro, seguidos por 40,5 bilhões de euros (US$ 55,3 bilhões) no dia seguinte.
| Os xerifes já avisaram que ninguém irá quebrar. Só ontem, colocaram em cima da mesa um socorro de US$ 156,15 bilhões, recursos similares ao volume recolhido às reservas brasileiras, de US$ 157,61 bilhões, pela posição do dia 8. Bastou a crise bater em instituição grande e poderosa, o BNP Paribas, para o Banco Central Europeu (BCE) mostrar o seu arsenal |
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| ANÁLISE: XERIFES SOCORREM |
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Os BCs de Japão e Austrália destinaram a seus mercados, nesta sexta, US$ 8,4 bilhões e US$ 4,2 bilhões, respectivamente. No caso da autoridade monetária australiana, a injeção corresponde ao dobro das intervenções que costuma fazer. Foi a primeira vez que os bancos centrais desses dois países tiveram de tomar essa iniciativa desde os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.
O BC canadense injetou 1,64 bilhão de dólares canadenses (US$ 1,55 bilhão) e divulgou que está em contato com outros bancos centrais sobre a situação global. O da Suíça ofereceu dinheiro aos bancos a uma taxa abaixo do mercado, de 2,6%, pelo segundo dia seguido nesta sexta-feira.
Na Coréia, a autoridade monetária local informou nesta estar pronta para injetar recursos nos mercados se necessário. Na Noruega, o BC fez empréstimo de 45 bilhões de coroas (US$ 7,80 bilhões) na quinta-feira e disse que isso deu ampla liquidez aos bancos.
Malásia, Indonésia, Filipinas e Taiwan também agiram nesta sexta para dar suporte a suas moedas, vendendo dólares, segundo operadores, em meio a temores de que a turbulência dos mercados de crédito cheguem à região.
(Com informações de EFE, Reuters e Valor Online)