Marga Zambrana
Pequim, 11 set (EFE).- O Banco Mundial (BM) elevou hoje as suas expectativas de crescimento para a China, quarta maior economia do planeta, que deverá atingir a taxa de 11,3%, e previu que o superávit comercial e a inflação também continuarão crescendo no país.
O aumento do Produto Interno Bruto (PIB) seria o maior desde 1995, e com uma alta considerável em relação aos 10,4% que o BM havia previsto no seu relatório trimestral anterior, em maio.
No primeiro semestre do ano, a China registrou um crescimento de 11,5%. Em dezembro de 2006, o Executivo havia estabelecido o objetivo de conter o aumento em 8%.
| Enquanto a China exibe um crescimento cada vez maior, vai ficando também mais distante a possibilidade de o país ficar dentro da sua meta de inflação, de 3% ao ano. Em agosto, os preços ao consumidor subiram 6,5%, maior aumento desde 1996 |
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| INFLAÇÃO: MAIOR EM 11 ANOS |
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O BM prevê, no entanto, que o crescimento chinês vai se reduzir para 10,8% em 2008, segundo o relatório apresentado hoje numa entrevista coletiva, em Pequim.
A fim de evitar o superaquecimento econômico, o BM recomendou uma nova elevação das taxas de juros. O Banco Popular da China (central) já recorreu a esse expediente quatro vezes este ano.
O "maior desafio macroeconômico" para os políticos chineses é o excedente de seu balanço de pagamentos, que segundo o BM continuará crescendo este ano e chegará a 12% do PIB.
"A principal tarefa continua sendo conter o superávit comercial, e uma divisa mais forte é a ferramenta mais evidente", disse Bert Hofman, diretor do escritório do BM na China.
Segundo o relatório, as medidas dos políticos chineses para conter as exportações não estão surtindo efeito, e apenas contribuem para um efeito inflacionário.
O superávit chinês, segundo o BM, chegará a US$ 378 bilhões em 2007, com um aumento de 22,8% nas exportações e 18,2 nas importações.
Devido ao volume de exportações, a China seria afetada por uma
recessão na economia dos Estados Unidos e outros grandes mercados.
"Isso diminuiria as preocupações com crescimento, inflação e
superávit", comentou Louis Kuijs, autor do relatório.
O BM, com sede em Washington, considera que este é um "bom
momento" para acelerar a valorização do iuane, a fim de reduzir as
exportações, como os EUA têm exigido nos últimos anos.
A pujança das exportações chinesas vem criando conflitos com
outras potências como EUA e União Européia, incluído um litígio na
Organização Mundial do Comércio (OMC) por causa dos supostos
subsídios do Governo aos exportadores.
O BM considera normais os conflitos. "Não diria que há uma
batalha. Até agora, a integração da China na economia mundial é
semelhante à de outros países, sempre com alguns atritos", disse
Kuijs à agência Efe.
Ele acrescentou que "é muito cedo" para saber se as medidas
adotadas pelos outros países contra a China "afetarão as suas
exportações".
Em agosto, a China registrou o maior aumento do Índice de Preços
ao Consumidor (IPC) da década, com 6,5%, segundo dados do Escritório
Nacional de Estatísticas, publicados ontem.
A crise se deve à alta do preço dos alimentos, especialmente do
porco. O próprio Governo reconheceu que não poderá ficar na meta de
inflação fixada para 2007, de 3%. Mas o Banco Mundial acredita que
pelo menos ela poderá ficar em 4,6% este ano e 3,8% em 2008.
Em 2006 o PIB chinês cresceu 11,1%, segundo estatísticas
oficiais, e a inflação foi de 1,5%.