Após 18 cortes, Copom pára de baixar juros e deixa Selic em 11,25%
Da Redação
Em São Paulo
O Banco Central parou de reduzir os juros e manteve a taxa Selic em 11,25% ao ano, a mesma da decidida na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em 5 de setembro. O receio de aumento da inflação pesou na definição, que interrompeu uma seqüência de 18 quedas.
A decisão ficou abaixo da previsão de analistas de mercado. Especialistas previam redução de 0,25 ponto percentual, segundo a última pesquisa Focus, que o Banco Central realiza semanalmente com cerca de cem instituições financeiras que atuam no país.
Mas essa estimativa não era unânime. Parte do mercado previa que o BC mantivesse a taxa no patamar atual (11,25% ao ano).
A decisão foi tomada por unanimidade entre os integrantes do colegiado do Copom.
"Avaliando a conjuntura macroeconômica, o Copom decidiu por unanimidade fazer uma pausa no processo de flexibilização da política monetária", afirmou o colegiado do BC em curto comunicado sobre a decisão.
Para Roberto Padovani, economista-chefe do WestLB Bank Brasil, "a cautela do Banco Central se deve à maior incerteza com relação ao cenário de inflação de médio prazo".
A próxima reunião do Copom -a última do ano- está agendada para 4 e 5 de dezembro.
O valor mais alto que a taxa atingiu no governo Lula foi de 26,5% ao ano, em fevereiro de 2003. Ela permaneceu nesse patamar até 18 de junho daquele ano. Desde então, caiu 15,25 pontos percentuais até a reunião desta quarta-feira (veja gráfico acima).