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27/02/2007 - 14h33

Bolsas mundiais registram forte queda, na esteira do mercado na China

XANGAI, 27 fev (AFP) - A Bolsa de Xangai registrou nesta terça-feira sua mais forte baixa desde 1996, de quase 9%, devido aos temores de explosão da bolha financeira no país, derrubando os mercados do resto do mundo, principalmente na Europa.

O índice composto do fechamento recuou 8,84%, para 2.771,79 pontos. Esta queda não era registrada em uma única sessão desde que a China adotou, no fim de 1996, um sistema que limitava as margens de evolução das ações a 10% para cima ou para baixo.

Esta queda, somada aos temores de desaquecimento econômico nos Estados Unidos e às tensões geopolíticas no Afeganistão e no Irã, pesou no conjunto dos mercados asiáticos. Tóquio fechou em baixa de 0,52%, Kuala Lumpur, de 2,81%, Jacarta, 1,12%. Manilha caiu 1,44%, Cingapura, 2,29% e Bangcoc, 0,69%.

Na Europa, o impacto foi bem maior: a maioria das Bolsas registrou queda superior a 2%. No fechamento, o índice CAC 40 da Bolsa de Paris caiu 3,02%, para 5.588,39 pontos; o DAX da Bolsa de Frankfurt cedeu 2,96%, a 6.819,65 pontos. Em Londres, o Footsie-1oo perdeu 2,31%, encerrando o pregão a 6.286,10 pontos. A Bolsa de Estocolmo recuou 3,93%, a 384,89 pontos. A Bolsa suíça despencou 3,4%, a 8.909,8 pontos.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones perdia 1,05%, enquanto o Nasdaq caía 1,79%, por volta das 14h (hora de Brasília).

Na China, os temores de formação de uma bolha financeira ligada à euforia reinante -que, se explode, arruína milhões de poupadores- voltaram à tona. Além disso, as autoridades chinesas anunciaram querem reforçar seu controle sobre o mercado, o que desencorajou os investidores.

Uma comissão ad hoc, com membros da comissão de valores mobiliários do mercado nacional, do banco central, do ministério do Comércio e da polícia, vai ser formada, para filtrar a procedência dos fundos investidos na Bolsa e, assim, identificar com mais eficácia as fraudes, lutar contra os crimes de iniciantes e reforçar a regulamentação geral do mercado.

Em 2006, a Bolsa de Xangai subiu mais de 130%. O frenesi de compras desencadeou, logo em seguida, vários anos de vacas magras na China, onde os investidores desconfiaram durante muito tempo das empresas com contas obscuras. Esta euforia também é alimentada pelo forte crescimento econômico do país.

No entanto, na opinião de Johanna Melka, analista do banco Ixis CIB, os riscos de verdadeiro crash no mercado financeiro não têm fundamentos.

"As conjunturas macro e microeconômicas são sólidas. O mercado de ações na China vai se tornar cada vez mais sadio e morrer sob o impulso de um aumento dos investidores institucionais, de uma queda de liquidez, de um aumento da capitalização financeira e, portanto, de uma melhor representatividade da economia nos mercados", disse a analista, em recente estudo.

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