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18/10/2007 - 10h06

O uso de biocombustíveis está transformando o mercado de matérias-primas

TÓQUIO, 18 Out 2007 (AFP) - O crescente uso de biocombustíveis para enfrentar a mudança climática está tendo um efeito dramático nos mercados de matérias-primas mundiais, afirmou nesta quinta-feira o principal diretor do Chicago Mercantile Exchange (CME), o maior mercado mundial de matérias-primas agrícolas.

O recente aumento dos preços do petróleo e do trigo a níveis recordes assinala uma transformação dos mercados das matérias-primas, afirmou Craig Donohue, chefe executivo do CME.

"Este é um mercado inteiramente novo em 'commodities'. Vemos uma grande convergência agora entre matérias-primas (agrícolas) e de energia, com muitas economias voltando-se para o etanol", afirmou aos jornalistas durante uma visita a Tóquio.

Em seu relatório semestral divulgado na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) expressou sua preocupação com as conseqüências da maior utilização de cereais para a produção de combustíveis "verdes" sobre os preços dos produtos alimentícios, sobretudo nos países pobres, mas fez elogios à produção brasileira.

"A utilização de produtos alimentícios como fonte de energia pode ter conseqüências graves sobre a demanda de alimentos se o crescimento da utilização de combustíveis verdes continuar", advertiu o FMI.

O FMI considera necessária uma maior coordenação internacional sobre o tema para que as políticas que buscam um desenvolvimento rápido dos combustíveis verdes levem em consideração este fator.

"A decisão de um país de promover os combustíveis verdes ao mesmo tempo que protege os próprios agricultores pode provocar um aumento dos preços da importação dos produtos alimentícios para outro país, muito provavelmente mais pobre, com conseqüências para o crescimento e a inflação", advertiu a instituição.

Em 2005, os Estados Unidos superaram o Brasil no primeiro lugar da produção de etanol, enquanto a União Européia é o primeiro produtor mundial de biodiesel, segundo o informe do Fundo.

China e Índia, sedentas de energia para alimentar sua rápida expansão econômica, também pensam em incrementar sua produção de biocombustíveis, o que, segundo alguns especialistas, pode agravar a escassez de água e de comida.

Donohue destacou que o crescimento das duas principais potências asiáticas está tendo um impacto muito forte nos mercados mundiais de matérias-primas.

"Estamos vendo mudanças muito dramáticas na produção, exportação e importação como resultado do crescimento nas economias como a China e a Índia, que está tendo um enorme impacto na oferta e na demanda de matérias-primas", concluiu.

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