18/10/2007 - 14h34
G7-Finanças faz um balanço da economia mundial após a crise imobiliária

WASHINGTON, 18 Out 2007 (AFP) - O G7-Finanças se reúne na sexta-feira em Washington para fazer um balanço da economia mundial após a crise financeira do trimestre passado, mas as trocas comerciais devem estar mais uma vez no centro das atenções devido à insatisfação dos europeus com o nível do dólar.
"É claro que as recentes turbulências estarão no centro dos debates, e grande parte da reunião do G7 será dedicada a este problema", garantiu nesta quarta-feira David McCormick, o subsecretário do Tesouro americano encarregado dos assuntos internos.
O G7-Finanças reúne os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais dos sete países mais industrializados (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália Japão e Reino Unido).
McCormick comemorou os "sinais de que a situação começou a se estabilizar em alguns mercados financeiros, apesar de termos consciência do tempo que é preciso para absorver as dificuldades recentes".
Será difícil para os participantes do G7-Finanças esquecer as conseqüências da crise, enquanto o Fundo Monetário Internacional acaba de revisar para 4,8% sua previsão de crescimento mundial para 2008, contra 5,2% anunciados anteriormente. Concentrado numa correção imobiliária que não acaba mais, os EUA devem pagar muito caro pela crise, com apenas 1,9% de crescimento no próximo ano.
Mario Draghi, o governador do Banco da Itália, deve apresentar na reunião os avanços do Fórum sobre a estabilidade financeira (FSF) que ele preside. O FSF trabalha principalmente com as agências de classificação, acusadas de terem ampliado a crise financeira, indicou McCormick.
O secretário do Tesouro, Henry Paulson, afirmou terça-feira que é preciso analisar o papel das agências, anunciando uma ampla convergência de pontos de visto sobre o assunto entre os participantes do G7.
O Tesouro não disse se as taxas de câmbio estaria na pauta da reunião, entretanto, é provável que os europeus defendam seus argumentos sobre o euro forte, apesar de nem todos compartilharem o mesmo grau de preocupação sobre as conseqüências da valorização de sua moeda.
O euro passou de US$ 1,43 pela primeira vez nesta quinta-feira no mercado de câmbios.
O ministro holandês das Finanças, Wouter Bos, indicou semana passada que os europeus iriam a Washington com "uma mensagem de confiança em nossa própria economia, e uma mensagem para os outros: que suas taxas de câmbio devem refletir os fundamentos de sua economia".
Esta mensagem pode, no entanto, ser queimada pelo veredicto do FMI, que disse que o dólar continua acima de seu valor em relação aos fundamentos da eocnomia.
Os Estados Unidos, aliás, devem ter discurso similar com relação à China, a quem acusam de manter sua moeda artificialmente baixa para sustentar as exportações.
Além destes assuntos, os ministros das Finanças e os governadores dos bancos centrais falarão assim "do comércio da reforma das instituições financeiras internacionais, problemas de desenvolvimento, de energia e meio ambiente".
Paulson espera apresentar sua idéia de um fundo para as tecnologias limpas, que ajudaria a financiar os projetos de energia não-poluentes nos países em desenvolvimento.
O G7 será encerrado com um jantar sobre os fundos soberanos (fundos de investimentos controlados pelos Estados), na presença de representantes de países que adotaram esta estrutura: China, Coréia do Sul, Kuwait, Noruega, Rússia, Arábia Saudita, Cingapura e Emirados Árabes Unidos.