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18/10/2007 - 15h20

BBC anuncia plano radical para reduzir tamanho

LONDRES, 18 Out 2007 (AFP) - A BBC anunciou nesta quinta-feira um dos mais drásticos planos de cortes em sua história, com a demissão de 1.800 pessoas, ao que os sindicatos já responderam com ameaças de greve.

"Globalmente, calculamos que 1.800 pessoas ficarão sem trabalho na BBC ao fim do plano de seis anos", anunciou o diretor geral da BBC, Mark Thompson.

O plano de redução do quadro da BBC - que tem atualmente quase 23.000 funcionários - tem o objetivo de economizar dois bilhões de libras (quase quatro bilhões de dólares) em seis anos.

Com o título de "Desenhando um futuro criativo", o plano, que afetará especialmente a redação e os noticiários, inclui a venda do edifício sede da corporação, na zona oeste de Londres, e o fim de 2.500 postos de trabalho até 2013, "principalmente nas áreas de notícias e de produção.

O presidente do Sindicato Nacional de Jornalistas, Jeremy Dear, advertiu que "se a BBC não reconsiderar sua posição, um movimento de greves parece inevitável".

Vários jornalistas ou apresentadores estrelas do canal se uniram aos sindicatos para criticar o drástico plano de economias, que consideram prejudicial à qualidade da BBC, que os britânicos chamam carinhosamente de "a tia".

"Estes cortes devastadores ameaçam gravemente a qualidade do serviço que oferecemos", afirmam 84 jornalistas da Rádio BBC em uma carta aberta publicada recentemente pelo jornal The Guardian.

O pacote de cortes aprovado na quarta-feira pela BBC Trust, o conselho que administra a BBC, é "radical" e busca produzir, em seis anos, "uma organização menor mas melhor", afirmou Thompson, ao revelar os detalhes do plano.

A direção da BBC informou que a supressão de 2.500 postos de trabalho será acompanhada pela contratação de novos funcionários em outras áreas, mas sem revelar um número.

A contratação foi a condição imposta pelo governo britânico nas negociações com a BBC para renovar a licença paga pelos proprietários de aparelhos de televisão e rádio, taxa que financia a emissora.

Também prevê a fusão das distintas redações existentes, assim como o corte de 10% dos programas da emissora, o que Mark Thompson garante que integra sua estratégia de "menor e melhor", assim como uma reforma digital, para oferecer ao público programas "onde e quando quiser".

Segundo o presidente do conselho de administración, Michael Lyons, o pacote de cortes vai "garantir os valores centrais da BBC em um contexto de mudanças radicais em tecnologia, mercados e expectativas do público".

A BBC já começou a enviar cartas aos funcionários na busca de demissões voluntárias, o que para os sindicatos equivale a uma "provocação" porque significa que a direção não tentará negociar o plano de cortes.

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