25/02/2005 - 15h15 Lucros recordes tornam bancos brasileiros uma mina de ouro
Por Jaime Ortega Carrascal São Paulo, 25 fev (EFE).- O sistema financeiro brasileiro vive uma bonança sem precedentes que transformou os bancos estabelecidos no país em minas de ouro, desempenho confirmado nesta sexta-feira pelo lucro do Banespa, pertencente ao grupo espanhol Santander.
O Banespa, principal banco do Santander Central Hispano no Brasil, informou hoje que em 2004 seu lucro líquido foi de 1,75 bilhões de reais, superando em 0,17% o registrado em 2003.
O lucro do grupo Santander Banespa, que inclui outras duas entidades menores, foi de 890 milhões de dólares em 2004, o que representa uma queda de 2,3% em comparação com 2003, mas o resultado individual do Banespa fecha uma temporada de excelentes resultados para os bancos no Brasil.
No exercício de 2004, os cinco maiores bancos do país por volume de ativos e de capital aberto (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Unibanco e Banespa) obtiveram em conjunto um lucro líquido recorde de 12,893 bilhões de reais, segundo estudo da firma Economática.
Esse resultado, que leva em conta valores ajustados à inflação, supera em 12,6% o atingido pelas mesmas instituições em 2003 e em 92,7% o registrado cinco anos atrás.
Banco do Brasil, Bradesco e Itaú registraram lucros recorde em 2004. O resultado do Unibanco foi o segundo melhor de sua história.
"Se 2003 tinha sido um ano maravilhoso para o setor bancário, 2004 foi ainda melhor", disse à EFE o presidente da Economática, Fernando Exel, destacando o processo de modernização tecnológica empreendido pelo setor nos últimos anos.
As cinco entidades incluídas no estudo têm 90% dos ativos dos 21 bancos de capital aberto do Brasil, segundo cálculos da Economática.
Esse grupo não inclui a Caixa Econômica Federal, estatal, que não tem ações negociadas na bolsa e que em 2004 teve um lucro líquido de 1,419 bilhão de reais, de acordo com o balanço publicado hoje.
Os altos lucros do setor bancário são baseados nos altos juros - o Brasil é o país com os juros reais mais altos do mundo-, em ganhos com a prestação de serviços bancários e no aumento da demanda de crédito devido à recuperação da economia brasileira, segundo os analistas.
"Os bons resultados de 2004 se devem fundamentalmente ao crescimento da economia brasileira como um todo. O crédito aumentou 20% no último ano e os serviços bancários também cresceram cerca de 30%", disse à EFE o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos, Roberto Luis Tróster.
Segundo o presidente da Economática, além dos serviços bancários, a intermediação financeira (diferença entre o que os bancos cobram por créditos e o que pagam por depósitos) também contribuiu para os altos ganhos do setor em 2004.
"A intermediação financeira também gerou muitas ganhos, e quem cria esta oportunidade para os bancos é o governo, que mantém os juros elevados", disse Exel.
Em 2004, o resultado bruto da intermediação financeira dos cinco bancos incluídos no estudo da Economática foi de 40,915 bilhões de reais, praticamente igual ao de 2003.
Isso deveu-se ao fato de a taxa básica de juros, a Selic, ter fechado o ano passado em 17,75% ao ano, nível mais alto em quatorze meses.
Os bancos, que em algumas operações, como o crédito pessoal, cobram juros superiores a 100% ao ano, argumentam que essa é uma ferramenta para enfrentar a alta taxa de inadimplência e os créditos subsidiados do país.
"O custo da inadimplência é muito caro no Brasil, e há muitos créditos subsidiados, que fazem com que os bancos tenham que emprestar, por exemplo, ao setor rural, com juros mais baixos do que os que se paga no mercado", afirmou Tróster.
A rentabilidade sobre o patrimônio dos grandes bancos brasileiros passa de 15%, nível similar à dos bancos dos Estados Unidos, e seus lucros superam os do setor industrial.