13/04/2005 - 18h14 Brasil restringirá importação de salmão fresco do Chile
Brasília, 13 abr (EFE).- O governo federal anunciou nesta quarta-feira que proibirá a importação de salmão fresco, originário principalmente do Chile, para prevenir novos casos de difilobotríase, doença digestiva que afugentou os clientes de restaurantes de comida japonesa.
"Estamos levando uma proposição ao Ministério da Agricultura e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que se adote, por um tempo determinado, a importação para o Brasil do salmão congelado, porque é o único peixe que está sendo importado fresco hoje", explicou o ministro da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, José Fritsch.
O salmão é o único pescado que hoje é importado fresco, explicou o ministro, citado pela Agência Brasil.
Fritsch fez o anúncio depois de uma reunião com representantes das associações de restaurantes e comerciantes de pesca de São Paulo, onde houve 27 casos de difilobotríase, doença causada por um parasita intestinal que é transmitido ao ser humano pelo consumo de pescado cru ou mal cozido.
Após a divulgação dos casos, os restaurantes de São Paulo, onde há uma importante colônia japonesa, viram um drástica queda de suas vendas. Mas a preocupação do consumidor também se estendeu a outras grandes cidades do país.
Segundo o ministro, o pescado brasileiro pode ser consumido sem problema. "Apenas o peixe importado cru, em especial o salmão fresco, que vem na sua maioria do Chile, é que pode ocasionar o problema", garantiu Fritsch.
Segundo a Secretaria de Pesca, 100% do salmão importado pelo Brasil provém do Chile, 89% em estado fresco.
Em 2004 foram importadas 11.864 toneladas do pescado; somente nos primeiros dois meses deste ano tinham sido compradas 2.317 toneladas.
Mas, segundo comerciantes, o ritmo de crescimento foi revertido na medida em que as notícias sobre a doença espantaram os clientes dos restaurantes japoneses, principais consumidores do salmão chileno.
Fritsch explicou que a restrição ao salmão fresco será adotada até ser identificado o foco do problema e o lote de importação que estava contaminado com o parasita.
Segundo os especialistas, o verme causador da doença não sobrevive quando é congelado por mais de 18 horas.
Na semana passada, a Anvisa divulgou um "alerta técnico" depois da descoberta do parasita intestinal em cidadãos de São Paulo no período entre março de 2004 e março de 2005. Os casos foram associados à ingestão de pescado cru em restaurantes japoneses.