25/11/2005 - 10h24 Mandelson culpa Brasil e G20 por bloqueio nas negociações da OMC
Madri, 25 nov (EFE).- O comissário europeu de Comércio, Peter
Mandelson, disse que o G20, liderado por países em desenvolvimento
como Brasil e Índia, é responsável pelo bloqueio das negociações da
Organização Mundial do Comércio (OMC) para a liberalização mundial
do setor.
"O G20 está negociando só em nome de seus interesses econômicos
e, freqüentemente, a perseguição desses objetivos vai em detrimento
dos países mais pobres", disse Mandelson ao jornal espanhol El País.
Além de Brasil e Índia, Argentina, Bolívia, Chile, China, Cuba,
Egito, Guatemala, Índia, Indonésia, México, Nigéria, Paquistão,
Paraguai, Filipinas, África do Sul, Tailândia, Tanzânia, Uruguai,
Venezuela e Zimbábue também fazem parte do G20.
Em sua maioria, são países exportadores de produtos agrícolas,
embora com interesses muito diferentes, pois enquanto o Brasil é uma
potência agrícola, a Índia é uma potência em serviços.
Mandelson assinalou que "quando o Brasil fala em nome do mundo em
desenvolvimento, é preciso lembrar que seus interesses agrícolas não
são os dos países da África subsaariana".
Os 148 países da OMC realizarão de 13 a 18 de dezembro em Hong
Kong uma conferência ministerial na qual devem acertar as plenas
modalidades da negociação que aprofundarão nessa liberalização em
agricultura, serviços, acesso a mercados para produtos industriais
(Nama) e desenvolvimento, entre outros.
No entanto, a amplitude de suas diferenças em agricultura, em
serviços ou no Nama fez com que os negociadores tenham tido de
diminuir a lista de seus objetivos para evitar o fracasso no
encontro asiático.
Após a constatação de que não obteriam as metas buscadas depois
de quatro anos de duras negociações, os países concordaram em
intensificar seus acordos para conseguir que a rodada do
Desenvolvimento de Doha, lançada em 2001, seja concluída no final de
2006.
A União Européia (UE), segundo Mandelson, quer "uma proposta
séria do Brasil e do resto do G20 para melhorar o acesso a seus
mercados dos produtos manufaturados". "Queremos oportunidades reais
para aumentar o comércio", acrescentou.
O principal negociador comercial da UE considerou que no setor de
serviços "nem sequer houve uma negociação em condições" e que "a
maioria das propostas para uma maior liberalização dos serviços foi
insuficiente".
Além disso, acrescentou que caso os membros da UE não vejam que
são colocadas iniciativas "sérias" para aumentar os intercâmbios nos
setores industriais e de serviços, não será possível avançar mais
nas negociações do setor agrícola.
No entanto, Mandelson reiterou mais uma vez que a UE não
apresentará novas ofertas porque sua proposta para a reunião de Hong
Kong é a mais generosa já feita. "Qualquer melhora sem uma
contraprestação nas negociações é impossível", ressaltou.
O comissário europeu de Comércio também assinalou que a UE
defende os países pobres nesta negociação, já que se trata de uma
"rodada de liberalização para o desenvolvimento".
Em outubro, a UE apresentou uma oferta com cortes tarifários,
abertura dos mercados para seus produtos e flexibilização na
aplicação da proteção dos direitos intelectuais para que esses
países tenham acesso aos remédios genéricos.
Sobre a possibilidade de que a reunião de Hong Kong volte a ser
um fracasso como as de Seattle (1999) e Cancún (2003), Mandelson
assinalou que pode ser que os ministros consigam "um acordo mínimo
em vez de ser um total fracasso", embora ele prefira ser um pouco
mais otimista.
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