16/12/2005 - 18h15 Lula e Chávez iniciam a integração energética da América do Sul
Por Carlos A. Moreno
Recife (Brasil), 16 dez (EFE).- A integração energética da
América do Sul e a associação das petrolíferas estatais da região
começaram a ganhar forma hoje, com o lançamento da pedra fundamental
de uma refinaria binacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e o chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez.
Trata-se de um projeto conjunto da Petrobras e da Petróleos de
Venezuela (PDVSA), uma das maiores produtoras e exportadoras de
petróleo do mundo.
A Refinaria de Petróleo Abreu e Lima, localizada no Porto de
Suape, um pólo industrial e portuário a 40 quilômetros de Recife.
Brasil e Venezuela investirão US$ 2,5 bilhões - divididos em
partes iguais - na refinaria, que começará a operar em 2011 e terá
capacidade para processar 200 mil barris diários de petróleo.
A refinaria abastecerá com diesel, gás liquidificado de petróleo,
nafta e coque todo o nordeste brasileiro, uma região com 20 milhões
de habitantes e que consome 19% dos combustíveis do país.
"Estamos empenhados em integrar a América do Sul, com gás,
petróleo e energia. Se não fizermos isso estaremos condenados a
depender dos países desenvolvidos", disse Lula.
"Esta refinaria é um enclave binacional e sul-americano para o
desenvolvimento da região", afirmou Chávez.
Chávez exaltou a integração sul-americana e a decisão da
Venezuela de olhar para o sul e integrar-se ao Mercosul (atualmente
formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai).
O presidente venezuelano afirmou que a usina é a primeira obra
concebida para integrar a América do Sul nas áreas de petróleo, gás
e energia.
Chávez lembrou que a refinaria binacional está prevista no
memorando constitutivo da Petrosur, assinado pelos ministros de
Minas e Energia do Brasil, Argentina e Venezuela em maio, e que
prevê a associação das petrolíferas estatais dos países
sul-americanos.
A Petrosur, um velho sonho do presidente venezuelano, associaria
as petrolíferas da América do Sul em projetos comuns, e não
necessariamente em uma nova empresa.
O desenvolvimento conjunto da bacia petrolífera do Orinoco na
Venezuela e da bacia marítima da Argentina são os outros dois
projetos concretos da Petrosur previstos em sua ata de constituição.
"Petrobras e PDVSA iniciarão em breve um projeto para o
desenvolvimento conjunto do bloco Carabobo I, situado na bacia do
Orinoco e que possui uma reserva estimada de 40 bilhões de barris de
petróleo", afirmou Chávez.
"Vamos explorar conjuntamente essas reservas e traremos parte
desse petróleo para ser refinado em Pernambuco. Esse petróleo
deixará de ser exclusivamente venezuelano e se transformará em
propriedade sul-americana", acrescentou.
Fontes da Petrobras informaram que o desenvolvimento conjunto das
reservas marítimas da Argentina também está previsto em um
pré-acordo já assinado. Para isso, a Petrobras, uma das empresas com tecnologia mais
avançada na exploração em águas profundas no mundo, se associará a
estatais argentinas.
Chávez lembrou que, além desses três projetos, vem tratando há
dias com Lula e com o presidente da Argentina, Néstor Kirchner,
sobre a construção de um gasoduto que transportaria o gás natural
venezuelano até a Argentina, atravessando o Brasil.
O projeto, ao qual poderão se juntar outros países da região,
permitirá que os países sul-americanos aproveitem as reservas de gás
venezuelano, suficientes para abastecer a região pelos próximos cem
anos.
"Será um gasoduto de cerca de 8 mil quilômetros de extensão, que
Lula definiu como o grande projeto do século XXI", afirmou o
governante venezuelano.
Segundo Chávez, a obra gerará mais de um milhão de postos de
trabalho em todo o continente, e energia equivalente a duas usinas
de Itaipu.
A refinaria Abreu e Lima é a primeira a ser construída no Brasil
nos últimos 25 anos, e a única projetada exclusivamente para
processar o petróleo pesado que a Petrobras extrai no país.
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