02/05/2006 - 20h28 Saiba o tamanho da Petrobras na economia da Bolívia, e a importância da Bolívia para a Petrobras
A Petrobras, principal empresa estrangeira na Bolívia, é a maior prejudicada pela nacionalização dos hidrocarbonetos e pela desapropriação de ativos no país andino.
A seguir, um resumo das atividades da estatal brasileira na Bolívia, feito a partir de um comunicado divulgado hoje:
A filial boliviana da Petrobras responde por 24% da arrecadação de impostos, 18% do Produto Interno Bruto total e 20% dos investimentos estrangeiros diretos da Bolívia.
A Petrobras opera 75% das exportações de gás enviadas da Bolívia para o Brasil, 46% das reservas do país, 95% da capacidade de refino e 23% da distribuição de derivados.
Além disso, a empresa produz 100% da gasolina e 60% do diesel consumido na nação andina.
Seus investimentos somaram, entre 1994 e 2005, US$ 1,5 bilhão (US$ 1 bilhão de forma direta, e o restante por meio de seus sócios).
Integração
O Brasil e a Bolívia assinaram, em 1991, uma "Carta de Intenção de Integração Energética", a qual se seguiu a construção de um gasoduto binacional entre 1997 e 2000, operado pela Petrobras e por onde o hidrocarboneto é conduzido ao território brasileiro.
Esse gasoduto tem capacidade para 30 milhões de metros cúbicos por dia. Em 2005, suas vendas tiveram média de 22,9 milhões de metros cúbicos para o Brasil e 0,9 milhão para a Argentina.
A Petrobras explora poços de petróleo e de gás natural em seis dos nove estados bolivianos (Tarija, Chuquisaca, Cochabamba, Beni, La Paz e Santa Cruz de La Sierra) e opera os gigantescos campos de gás de San Antonio e San Alberto, no sul do país.
Este último foi o local escolhido por Morales para anunciar, na segunda-feira, o decreto de nacionalização.
O gás boliviano representa 52,5% da participação "em novas descobertas internacionais e das reservas da Petrobras no exterior".
Na Bolívia estão a maior parte das reservas, 158 bilhões de metros cúbicos, contabilizadas pela Petrobras dentro de seus ativos próprios de acordo com os critérios da "Securities and Exchange Commission", dos Estados Unidos, entidade que regula os mercados de valores do país.
A Petrobras é controlada pelo Estado brasileiro, mas suas ações são negociadas nas bolsas de valores de Nova York, Madri, Buenos Aires e São Paulo.
A filial Petrobras Bolívia Refinación S.A. (PBR) opera as duas principais refinarias bolivianas, Gualberto Villaroel, em Cochabamba, e Guillermo Elder Bell, em Santa Cruz de la Sierra, que juntas processam uma média de 40 mil barris de petróleo por dia, o suficiente para atender toda a demanda de gasolina de aviação e querosene.
Esta refinarias, compradas pela Petrobras por US$ 100 milhões em 1999, foram nacionalizadas pelo Governo boliviano e ocupadas ontem, segunda-feira, por militares.
A estatal brasileira também é dona de 100 dos 400 postos de gasolina existentes na Bolívia.
Além disso, a empresa emprega 750 pessoas no país andino, entre bolivianos, brasileiros, argentinos, equatorianos, holandeses e uruguaios.
Em 2005, a Petrobras produziu, na Bolívia, 8.500 barris de petróleo por dia e 7,75 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, o equivalente a 54.000 bpd de petróleo.
A Petrobras está associada a outras multinacionais na operação de sete blocos de produção na Bolívia e opera seis diretamente.
UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)