15/05/2006 - 17h27
Agricultores brasileiros prevêem maus resultados este ano

Rio de Janeiro, 15 mai (EFE).- Os empresários do setor agrário
brasileiro prevêem um cenário muito negativo para seus negócios este
ano e 76% dos agricultores esperam uma colheita pior que a anterior,
informou hoje a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil.
Segundo uma pesquisa realizada em abril com 7.849 produtores de
todo o país, 98% dos empresários do setor criador de gado afirmam
que sua atividade está em crise.
Cinqüenta e sete por cento dos agricultores e 75% dos criadores
de gado esperam uma redução de rentabilidade e enfrentarão perdas em
seus negócios no curto prazo, segundo relatório apresentado pela
Confederação em entrevista coletiva.
O Brasil é um dos principais produtores e exportadores mundiais
de carnes, grãos, cereais, oleaginosas e frutas. O setor agrícola do
país e a criação de gado corresponde a um terço do Produto Interno
Bruto (PIB) e a 44% das exportações.
Setenta e seis por cento dos agricultores acreditam que colherão
menos agora do que na colheita anterior, devido à menor utilização
de insumos, a problemas climáticos, a ataques de pragas e doenças e
à diminuição da área plantada.
Dezesseis por cento dos que prevêem uma redução esperam que esta
seja superior a 50% entre a safra passada e esta.
Setenta por cento dos agricultores entrevistados disseram que
demitiram ou deixaram de contratar empregados para trabalhar na
atual colheita.
Na pecuária, 75% dos produtores registram há dois anos uma
redução de seus lucros. Devido à crise, 66% se disseram obrigados a
reduzir o número de suas cabeças de gado bovino e 66% afirmaram que
pretendem reduzir as áreas de pastoreio.
Oitenta e oito por cento esperam faturar menos este ano em
relação ao anterior.
Os empresários do campo atribuem "a pior crise dos últimos 20
anos" a uma forte valorização do real frente ao dólar, importações,
alta carga tributária, encarecimento dos insumos, altas taxas de
juros reais e nominais e fatores climáticos adversos.
Na sexta-feira passada, o Governo de Luiz Inácio Lula da Silva
anunciou um pacote de ajuda para atenuar a crise do setor, o que
inclui a injeção de cerca de US$ 200 milhões para garantir os preços
da soja.
Agricultores e criadores de gado consideraram as medidas como
insuficientes, por isso programaram uma série de protestos em
estradas e cidades nos estados agrícolas do interior do país.
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