16/05/2006 - 18h37 Agricultores protestam contra política do Governo Lula
Brasília, 16 mai (EFE).- Milhares de agricultores protestaram
hoje em várias cidades do país contra a política econômica e
agrícola do Governo federal, acusado pelos ativistas de propiciar o
início de uma crise nos pequenos e grandes empreendimentos rurais.
Os principais protestos ocorreram em Brasília, embora também
tenham sido registradas manifestações em outros estados do país,
como Paraná e Mato Grosso do Sul. Só em Brasília, cerca de 1.500
agricultores fizeram uma passeata pela Esplanada dos Ministérios.
Os produtores exigiram maior apoio à chamada agricultura
familiar, assim como facilidades de crédito e para cancelá-los. O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura (Contag), Paulo de Tarso, disse que o setor também
pretende negociar com o Governo para incluir todos os pequenos
agricultores na economia formal, pois muitos não têm direito a
aposentadoria ou a outros direitos trabalhistas.
Também reivindicou um maior esforço oficial para reduzir os
níveis de violência no campo, que, em 2005, e devido a graves
conflitos, registrou saldo de 38 agricultores mortos.
A jornada de protesto de hoje teve início com o chamado "Grito da
Terra", uma série de manifestações que se prolongará durante esta
semana e que deverá ficar marcada pela realização de reuniões de
dirigentes agrícolas para discutir assuntos ligados ao setor.
Os debates ocorrerão em tendas na Esplanada dos Ministérios.
Segundo a Contag, abrangerão assuntos diversos como ecologia,
agricultura familiar, violência e desenvolvimento sustentável. No contexto do "Grito da Terra", várias estradas do país foram
bloqueadas hoje por manifestantes que protestaram de forma pacífica.
Segundo os agricultores, a política econômica restritiva do
Governo e a valorização do dólar frente ao real deixaram a
agricultura à beira de uma grave crise. As reivindicações dos agricultores uniram-se a queixas feitas
nesta segunda-feira pelos grandes setores da agricultura e da
pecuária. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
(CNA), os empresários do setor prevêem um cenário negativo este ano,
e 76% esperam uma colheita pior que a anterior.
A CNA atribuiu a que considerou a "pior crise dos últimos 20
anos" à forte apreciação do real frente ao dólar, aos aumentos das
importações e da carga tributária, ao encarecimento de bens de
consumo, às altas taxas de juros e a fatores climáticos adversos.
Segundo dados oficiais, o setor agrícola e pecuário responde por
um terço do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e por 44% das
exportações.
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