11/04/2007 - 15h54
Ênfase no etanol aumentará os preços dos alimentos, alerta FMI

Washington, 11 abr (EFE).- O Fundo Monetário Internacional (FMI)
advertiu hoje que a ênfase colocada pelos Estados Unidos e pela
União Européia no etanol fará aumentar ainda mais o preço dos
alimentos, e pediu que reduzam as tarifas à entrada deste
combustível proveniente do Brasil e de outros países tropicais.
"Enquanto, em pequena escala, os combustíveis biológicos podem
ser um suplemento benéfico no abastecimento energético, promover seu
uso a níveis insustentáveis com a atual tecnologia é problemático",
advertiu o FMI em seu relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais",
publicado hoje.
O subdiretor do Departamento de Análise do FMI, Charles Collyns,
ressaltou a preocupação do organismo durante a entrevista coletiva
de apresentação do estudo, com publicação semestral.
"Estamos um pouco preocupados, porque, nos países desenvolvidos,
tende-se a ver os combustíveis biológicos como uma solução rápida
para reduzir a dependência aos hidrocarbonetos", disse.
Os Estados Unidos pretendem dobrar o consumo de etanol em 2017, e
para isso precisará aumentar em 30% a produção de milho nos próximos
cinco anos.
Na União Européia, 10% dos combustíveis para o transporte devem
ser obtidos de matéria vegetal até 2020, e com isso os
países-membros do bloco terão que destinar 18% de suas terras
cultiváveis para a produção de biocombustíveis.
Collyns, especialista sobre o Brasil - segundo produtor mundial
de etanol, depois dos EUA -, disse que essas metas são "muito
ambiciosas" e que o uso das plantações para combustível elevará o
preço dos alimentos no mundo todo.
Precisamente, o FMI previu altas dos preços da soja, o trigo e o
milho.
O funcionário pediu que os Estados Unidos e a Europa reduzissem
as tarifas sobre o etanol produzido no Brasil e nos países tropicais
a partir da cana-de-açúcar, processo que é mais barato do que com o
milho ou a beterraba como matéria-prima.
O FMI também questionou o fato de os Governos concederem altos
subsídios que beneficiam mais os produtores do que o meio ambiente.
A longo prazo, o futuro deste tipo de combustível dependerá da
descoberta de novas tecnologias que permitam destilar etanol a
partir de resíduos vegetais, segundo o FMI.