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16/05/2007 - 20h44

Dólar cai em quase toda a América Latina

Carlos A. Moreno

Rio de Janeiro, 16 mai (EFE) - Enfraquecido diante do euro e do
iene, o dólar também cai agora em relação às moedas da América
Latina, em uma tendência há pouco tempo impensável na região, que
estava acostumada a carregar a pior parte da economia global.

Na maioria dos países da região, o dólar sofreu uma perda de
valor significativa. A exceção são os países que dolarizaram sua
economia, como o Equador e o Panamá, dos que controlam o câmbio,
como Venezuela e Cuba, e dos que fazem intervenções no mercado para
impedir a excessiva valorização de sua moeda, como a Argentina.

No Brasil, a maior economia latino-americana, o dólar fechou hoje
a R$ 1,953 para a venda seu menor valor desde fevereiro de 2001.

A desvalorização do dólar no Brasil, do início do ano até agora, chega a 7,8%, número próximo aos 8,9% de todo o ano passado. É, ainda, de 50,9% se a atual cotação for comparada com a de 10 de outubro de 2002, quando alcançou seu ponto mais alto (R$ 3,99).

No entanto, a Colômbia é o país onde a moeda dos Estados Unidos
apresentou a maior queda este ano: 10,88%.

No México, o dólar fechou, na terça-feira, a 10,79 pesos, sua
menor cotação desde 3 de janeiro (10,77 pesos). Por outro lado, a
moeda mexicana subiu 5,3% nos últimos onze meses.

Outros países latino-americanos em que a moeda local subiu este
ano são o Chile, onde o dólar caiu 3,9%, o Paraguai (queda de 3,2%), o
Uruguai (de 1,8%), o Peru (de 1,25%) e a Bolívia (de 0,74%).

Sem levar em conta os países com economia dolarizada, com câmbio
controlado ou com economias muito dependentes dos EUA, como os da
América Central, a única nação na qual o dólar apresentou alta este
ano foi a Argentina (0,65%).

As pequenas variações registradas pelo peso argentino desde 2003
são conseqüências do posicionamento do Banco Central. O órgão
realizou grandes compras de dólares no mercado para evitar uma
excessiva valorização da moeda nacional, encorajar as exportações e
acumular reservas.

Os especialistas calculam que, sem essas intervenções, a taxa de
câmbio na Argentina seria de menos de dois pesos por dólar, contra
os 3,10 pesos em que a moeda americana abriu hoje.

No entanto, a queda do dólar é um fenômeno mundial atribuído,
pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, ao decepcionante crescimento
da economia americana.

A desvalorização da moeda americana também é causada pela elevada
liquidez internacional. Os juros baixos nos EUA fazem com que os
capitais busquem países mais rentáveis.

"Há muito capital no mundo, e (ele) está buscando países sólidos
que apresentem um pouco mais de rentabilidade", afirmou Mantega
recentemente.

"A depreciação do dólar no mundo todo tem suas origens,
evidentemente, nos EUA, por causa de seus déficits (comercial e
tributário)", disse à agência Efe o diretor da empresa de
consultoria brasileira Economática, Fernando Exel.

Na União Européia, por exemplo, o dólar alcançou, no dia 27 de
abril, sua posição mais baixa frente ao euro (US$ 1,3684), devido às
expectativas de corte de juros nos EUA e de altas na Europa. Desde
sua introdução, em janeiro de 1999, até hoje, a moeda européia subiu
16%.

Segundo uma classificação elaborada pelo Ministério da Fazenda, os países cujas moedas mais se valorizaram nos últimos 12 meses são, em ordem, Eslováquia, Islândia, Hungria, Tailândia, Reino Unido, Polônia, Austrália, República Tcheca, Colômbia, Índia, Filipinas, Malásia, Cingapura, Peru, Brasil e China.

Em sua maioria, são países emergentes, incluindo três
latino-americanos. Esses se beneficiaram do excesso de liquidez com
investimentos estrangeiros tanto diretos como voltado aos mercados
financeiros.

"Mas em cada país a desvalorização do dólar obedece a razões
diferentes. No Brasil, explica-se por seu grande superávit
comercial, pelo aumento dos investimentos estrangeiros e por um
ambiente atrativo (para os capitais), que inundou de dólares o
país", afirmou Exel.

Para o diretor de Estudos Econômicos do banco Scotiabank no
México, Francisco Gutiérrez, a valorização do peso é conseqüência do
excesso de divisas que provêm das exportações petrolíferas e de um
investimento estrangeiro crescente. Seria causada, ainda, pela maior
taxa de juros oferecida pelo México, em comparação com os EUA.

Segundo o analista da Pricomreit, do Chile, Moisés Aedo, a
evolução positiva dos mercados internacionais, especialmente de Wall
Street, permitiu que as moedas latino-americanas ganhassem terreno,
o que, no Chile, também ocorreu devido ao avanço do preço do cobre.

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