27/02/2007 - 20h20
Analistas sugerem que baixa do mercado é passageira e reiteram visão positiva

SÃO PAULO - Após ter se aproximado da máxima histórica de 46.452 pontos na véspera, o Ibovespa fechou em forte queda de 6,63% nesta terça-feira - a maior desvalorização desde 13 de setembro de 2001.
É importante mencionar que o movimento de ajuste não se limitou apenas ao mercado brasileiro. As bolsas européias operam em baixa, movimento verificado também nas bolsas norte-americanas.
China e economia norte-americana
Dentre os fatores que influenciam os mercados, destaque para o fraco desempenho apresentado pelas bolsas asiáticas, principalmente a chinesa, que nesta terça-feira registrou a maior queda em mais de dez anos.
Um movimento de realização de lucros e a preocupação com medidas que poderiam ser adotadas pelo governo da China para conter o crescimento econômico do país pressionaram o índice da bolsa de Xangai, que recuou 8,9%.
Em paralelo, um atentado terrorista a uma base norte-americana no Afeganistão, onde se encontrava o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, também traz repercussões, assim como a importante agenda de indicadores econômicos da semana.
Mercados estavam próximos de suas máximas
Silvio Campos, economista-chefe do Banco Schahin, avalia que o desempenho verificado pelo Ibovespa nesta terça-feira reflete basicamente um movimento de realização de lucros. Campos lembra que os principais mercados do globo, assim como o brasileiro, se encontravam muito próximos de seus níveis recordes.
"O fraco desempenho do mercado chinês e a notícia sobre o atentado no Afeganistão trazem certa cautela e acabam influenciando movimentos mais fortes de realização de lucros, principalmente nos mercados mais valorizados".
O economista lembra ainda que existem maiores preocupações com os movimentos das moedas asiáticas e com o setor imobiliário norte-americano. Além disso, comentários cautelosos de importantes economistas, como Alan Greenspan, sobre o futuro da economia dos Estados Unidos acabam trazendo alguma apreensão.
Sem mudança de tendência
A percepção, no entanto, é de que não houve nenhuma grande mudança na tendência do Ibovespa, que permanece positiva. O analista Álvaro Bandeira, da Ágora Corretora, concorda que, "por enquanto, os movimentos devem ser interpretados como simples realizações, e não exatamente como mudança de tendência".
A recomendação para os investidores que foram pegos de surpresa nesta terça-feira é a de ter sangue frio. "É claro que nos devemos redobrar a atenção nos próximos dias, mas os fundamentos seguem favoráveis e tudo indica que o mercado deverá se recuperar em breve", acrescenta Silvio Campos.
Ivanor Torres, da Geral Asset, concorda com as percepções anteriormente apresentadas e completa: "eu continuo otimista com o mercado. As premissas continuam favoráveis. Os investidores não devem entrar na onda dos especuladores. Em minha opinião, a baixa verificada nesta terça-feira criou boas oportunidades de compra".