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22/05/2007 - 18h00

Ações de Gol e TAM acumulam perdas: há oportunidade de compra?

SÃO PAULO - Após um período turbulento, marcado pela crise aérea brasileira, instaurada em outubro do ano passado, o cenário parece esboçar sinais de melhora para as duas principais empresas do setor aéreo do país: Gol e TAM.

Junto à aparente e progressiva resolução dos diversos problemas que envolveram o setor nos últimos meses, recentemente estas duas empresas chamaram a atenção pelas estratégias que adotaram para incrementar a competição por espaço no mercado. Ao final de março, a Gol anunciou a aquisição da "nova" Varig, e a TAM, nos últimos 30 dias, já anunciou parcerias com quatro companhias aéreas internacionais.

Esta melhora setorial foi importante e influenciou alguma recuperação nos preços, mas não suficiente para tirar do vermelho os papéis de ambas as empresas. Até o fechamento da última sessão, as ações preferenciais de GOL e TAM acumulavam desvalorização em 2007 de, respectivamente, 3,94% e 6,44%, enquanto, no mesmo período, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, acumulava ganhos de 17,42%.

Trajetória de Gol, TAM e Ibovespa em 2007

As ações preferenciais de Gol e TAM acompanharam a trajetória menos positiva do Ibovespa ao longo dos meses de janeiro e fevereiro. Já no início de março, o índice iniciou sua atual trajetória ascendente, enquanto os papéis de ambas as companhias aéreas, prejudicados pelo desenrolar da crise aérea do país, seguiram em queda.

Até então, as ações do Gol e TAM apresentavam certa paridade. Contudo, com o anúncio, ao final de março, da aquisição da "nova" Varig, as ações da GOL ganharam fôlego e se descolaram dos papéis da TAM.

Após este movimento, ao longo do mês de abril, as ações da GOL perderam força e retomaram um movimento de desvalorização, enquanto os papéis de sua principal concorrente, em busca de nova paridade, iniciaram uma trajetória ascendente. A cotação de ambas estas ações voltaram à equivalência no início deste mês, sendo que, desde então, estes papéis acompanham o Ibovespa em seu movimento de alta.

Os que os números dizem

Por este breve histórico, não surpreende a afirmação de que, apesar de os papéis de GOL e TAM apresentarem desempenho negativo no acumulado deste ano, este cenário já foi bem pior. As ações da TAM chegaram a apresentar desvalorização de 28% este ano - em 13/04, quando estes papéis encerraram o dia cotados a R$ 51,15 - enquanto as ações da GOL atingiram desvalorização de quase 19% em seu máximo de perdas em 2007 (no dia 27 de março, encerramento em R$ 52,99).

Segundo levantamento realizado pela InfoMoney no mês de maio, quanto à recomendação e preço-alvo das carteiras recomendadas de diversas instituições, as projeções para os papéis de ambas as empresas, em termos de upside para o final deste ano, são páreos.

A média do preço-alvo das ações da GOL é de R$ 81,31, o que representa um upside de 36,5% em relação à cotação de fechamento do último pregão (R$ 59,56). Com um preço-alvo médio de R$ 80,41, o upside para os papéis da TAM é pouco inferior, de 34,0%.

Oportunidade de compra e preferência por Gol

Segundo Max Bueno, analista de investimentos da Corretora Spinelli, o acirramento da concorrência entre Gol e TAM, embora tenda a resultar em achatamento de margens, não parece predatório e não deve impactar significativamente os resultados destas empresas no curto prazo.

O analista aposta que a crise aérea caminha para a normalidade já no curto prazo, trazendo um melhor ambiente para estas empresas que tende a se converter em melhores resultados e apreciação das ações, criando, assim, uma oportunidade de compra para estes papéis.

Entre as ações de Gol e TAM, Bueno recomenda a primeira. Na visão do analista, a empresa possui melhores margens e, em termos operacionais, se mostra mais eficiente do que a TAM. Contudo, caso a Gol não cumpra o prazo estabelecido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para normalização das rotas da "nova" Varig, as ações da empresa podem sofrer alguma volatilidade no curto prazo.

Para os que temem que não seja a hora comprar ações, já que o mercado se encontra esticado, Bueno enfatiza que os fundamentos seguem favoráveis e sustentam apostas no longo prazo. "No cenário externo faltam pretextos para uma realização mais acentuada. Mantido o panorama atual, o momento é propício para investimento", conclui o analista de investimentos da Spinelli.
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