SÃO PAULO - A turbulência que tomou conta dos mercados financeiros nas últimas semanas também gerou perdas na indústria de fundos de investimento, em especial dentre os fundos de privatização.
Isto porque, até o dia 13 de agosto, os fundos de privatização aparecem entre os principais destaques negativos em termos de rentabilidade no mês, segundo dados disponibilizados pela Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento). Vale lembrar que a captação destes fundos está fechada.
| Rentabilidade dos Fundos de Privatização* |
| Categoria de Fundo | Rentabilidade Agosto/2007 | Rentabilidade 2007 | Rentabilidade 12 meses |
| Petrobras - FGTS(**) | -5,68% | +9,38% | +22,32% |
| Petrobras - Recursos Próprios(***) | -5,89% | +7,76% | +20,60% |
| CVRD - FGTS | -5,45% | +37,54% | +83,25% |
| CVRD - Recursos Próprios | -5,52% | +36,89% | +81,89% |
*Até o dia 13 de agosto**Categoria de fundos que utiliza recursos do FGTS ***Categoria de fundos que utiliza outros recursos que não os do FGTS Uma vez que os números da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento) têm defasagem de alguns dias, as perdas destes fundos provavelmente ganharam maiores proporções.
Entre os dia 14 e 17 de agosto, as ações ordinárias de Petrobras e Vale do Rio Doce acumularam desvalorização de, respectivamente, 4,23% e 9,52%, o que deverá se materializar em quedas adicionais nos fundos de privatização no curto prazo.
Estes fundos acompanham de perto as perdas destes papéis porque possuem, no mínimo, 90% de seus patrimônios líquidos atrelados a um destes ativos. E em meio à turbulência do mercado de renda variável, alguns investidores se sentem tentados a retirar seus recursos destes fundos. Seria esta uma boa opção?
Perdas no curto prazo versus ganhos futurosApesar das fortes perdas apresentadas por esses fundos nos últimos dias, a análise dos rendimentos em períodos mais amplos mostra a vantagem de se investir em fundos de privatização.
Os ganhos que estes fundos carregam em 2007 e nos últimos 12 meses mostram que, apesar de no curto prazo fundos atrelados à renda variável poderem sofrer em períodos de turbulência no mercado de ações, os ganhos de médio e longo prazo tendem a ser mais sólidos, o que sustenta a conhecida frase "fundos são investimentos de longo prazo".
Comprovando que os investidores devem encarar suas aplicações não só nos fundos de previdência mas em quaisquer categorias de fundos de investimento com objetivos de longo prazo, os três tipos de fundos de privatização atrelados aos papéis da Vale só perdem em rentabilidade acumulada nos últimos doze meses para a categoria "ações setoriais energia", que apresenta ganhos de 84,67% nesta base comparativa.
Sangue frioOu seja, no atual cenário estes fundos são penalizados pela generalizada volatilidade instaurada nos mercados acionários. Porém, passada a crise, as perspectivas são de que os fundos em questão retomem o bom desempenho acumulado no passado, sem maiores impactos nos ganhos futuros de quem aplica nestes fundos.
Para Marilisa Cunha Cardoso, especialista da Mauá Investimentos, o investidor deve manter o sangue frio em momentos de perdas e focar seus objetivos no longo prazo.
A analista se mostrou positivamente surpresa com o baixo volume de resgates verificados na indústria de fundos de investimentos como um todo nestes últimos dias, o que demonstra uma maior maturidade do investidor em tempos de turbulência nos mercados.
Perspectivas futurasAs favoráveis perspectivas futuras do mercado para as ações de Petrobras e Vale do Rio Doce também devem ser consideradas pelos que possuem parcela de seu FGTS aplicado em fundos de privatização.
As estimativas de crescimento da demanda mundial por petróleo, os baixos múltiplos da Petrobras frente a seus pares internacionais, os resultados apresentados pela estatal nos últimos trimestres e a expectativa de números ainda melhores nos próximos períodos são vistos por analistas como fatores que tendem a favorecer o desempenho futuro das ações da empresa.
Para a Vale do Rio Doce, as projeções também são otimistas. A forte demanda de mercados externos, sobretudo da China, as favoráveis perspectivas para o setor como um todo, as recentes aquisições da companhia e os resultados recordes apresentados nos últimos trimestres são fatores que beneficiam a evolução dos papéis da mineradora brasileira.