18/10/2007 - 12h19
Com decisão do Copom, taxa ao consumidor permanecerá em 130% ao ano

SÃO PAULO - Dificilmente as taxas de juros cobradas dos consumidores baixarão dos 130% anuais ainda em 2007. O motivo, conforme informou nesta quinta-feira (18) a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), é a manutenção da taxa básica de juro, a Selic, em 11,25% ao ano, segundo decisão anunciada pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na noite de quarta-feira (17).
"Os compradores, se tinham alento, podem esquecer. Enquanto o Banco Central não baixar a Selic, vão continuar pagando juros extremamente altos", afirmou o vice-presidente da entidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira.
Prejuízo ao consumidor
O congelamento da taxa interrompeu uma seqüência "harmoniosa" de cortes que durou exatamente dois anos. Desde setembro de 2005, a Selic caiu 8,5 pontos percentuais. Os juros médios do comércio, segundo pesquisa da Anefac, não seguiram a tendência e não chegaram a cair um ponto percentual. Ainda assim, a taxa média, de 7,25% ao mês, é considerada a menor da série histórica da pesquisa.
José Dutra Vieira, especialista em matemática financeira, compartilha do pensamento de Vieira. "Claro que o consumidor é prejudicado. "O Brasil paga mais que o dobro que os países em desenvolvimento", explicou.
Segundo o especialista, a taxa de juro real no Brasil, já descontada uma inflação em 4%, no âmbito do IPCA, está em 7% ao ano. A média de países em desenvolvimento fica entre 2% e 3%, ambos ao ano.
Tendência
"Mais do que nunca, as pessoas devem esperar para contrair financiamentos. A expectativa é que no ano que vem a taxa média anualizada do juro ao consumidor fique abaixo dos 100%", previu Oliveira.
A LCA Consultores acredita que o Copom já voltará a baixar a Selic em sua próxima reunião, marcada para o dia 5 de dezembro, ou, no mais tardar, no encontro seguinte, em 23 de janeiro.