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18/10/2007 - 12h34

Petróleo pode chegar aos US$ 100 com relação entre oferta e demanda apertada

SÃO PAULO - O petróleo chegou ao patamar dos US$ 89 na última sessão, mas recuou ao final do pregão com as especulações de que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) ainda teria espaço para elevar a produção, mas as tensões geopolíticas seguem em foco.

O preço também recuou depois que o ministro do petróleo da Nigéria, Odein Ajumogobia, disse à agência Reuters que o cartel poderá se reunir no próximo dia 17 de novembro, três semanas antes do encontro já agendado. O ministro, contudo, não sinalizou um novo aumento da produção, além da já anunciada elevação de 500 mil barris por dia a partir de 1º de novembro.

Dólar fraco

A recente fraqueza do dólar frente às moedas internacionais tem sido um dos fatores por trás da alta do petróleo e um aumento nos preços futuros da commodity poderá atrapalhar o crescimento econômico, com a economia já experimentando uma desaceleração devido à crise do subprime.

Evolução dos preços (médios)
Período Preço (US$ por barril) Período Preço (US$ por barril)
1994 17,16 1995 18,43
1996 22,13 1997 20,58
1998 14,37 1999 19,25
2000 30,30 2001 25,92
2002 26,10 2003 31,14
2004 41,44 2005 56,46
2006 66,10 2007* 66,30
*Média até 10 de outubro Fonte: BMO (Bank of Montreal)

Tensões geopolíticas

Adicionalmente, o parlamento turco aprovou na última quarta-feira uma incursão militar no norte do Iraque contra os rebeldes curdos que vivem na região. Apesar disso, os analistas continuam céticos sobre uma efetiva invasão turca na região.

"Muitos sugerem que este ainda é um aviso político e que talvez nós ainda não veremos uma incursão por agora", avalia a equipe de analistas da corretora britânica de futuros, Sucden. Os problemas na região, contudo, foram capazes de se sobreporem aos dados dos estoques norte-americanos.

De acordo com dados publicados pelo DOE (Departamento de Energia dos EUA) na última quarta-feira, o nível dos estoques de petróleo aumentou em 1,8 milhão de barris, acima do esperado. As refinarias operaram com 87,3% da sua capacidade total, ante 87,8% da última medição.

"As tensões militares entre a Turquia e o norte do Iraque estão impulsionando os preços do petróleo, e nem o fato do Departamento de Energia dos EUA ter anunciado um aumento nas reservas petrolíferas contribuiu para atenuar esta tendência", dizem os analistas do banco de investimentos português Millennium.

Buscando os US$ 100

Para o estrategista de investimento sênior do Credit Suisse, Philipp Vorndran, é interessante lembrar que, no ano, apenas nas últimas semanas, a variação passou para o campo positivo. Até junho, a variação da commodity oscilava entre 5% e 10%. De lá para cá o preço disparou.

Evolução dos preços no ano (médios)
Período Preço (US$ por barril) Período Preço (US$ por barril)
Jan 54,57 Fev 59,26
Mar 60,56 Abr 63,97
Mai 63,46 Jun 67,48
Jul 74,18 Ago 72,39
Set 79,93 Out* 80,16
*Média até 10 de outubro Fonte: BMO (Bank of Montreal)

Segundo Vorndran, "o preço de US$ 100 por barril poderá não estar muito longe". Para ele, o preço do petróleo pode começar a cair "à medida que se for registrando uma diminuição da procura da economia global".

Com a perspectiva de uma relação entre a oferta e a demanda apertada para os próximos anos, esta expectativa é o único fator a atrapalhar a tendência de alta nos preços do óleo. Segundo os analistas da Sucden, muito tem se falado sobre um movimento de correção dos preços.

Entretanto, para tal movimento ocorrer, será preciso alguma notícia capaz de mudar o rumo dos preços. "Nós precisamos dizer que estamos caçando para achar a fonte de onde estas notícias podem vir".

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