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18/10/2007 - 14h40

Boom de IPOs na Bovespa em 2007 também surpreende em âmbito global

SÃO PAULO - Muito se tem dito sobre o boom de IPOs - Initial Public Offering, sigla em inglês de Oferta Pública Inicial - visto no mercado brasileiro em 2007.

Até o momento, 60 empresas realizaram ou anunciaram abertura de capital no ano, excluindo Atmosfera e Aliansce, cujas ofertas foram suspensas.

Isoladamente, este número não diz muito. É preciso verificar se este fenômeno se restringe ao mercado brasileiro ou se é uma tendência global, assim como o histórico das IPOs realizadas no país ao longo dos últimos anos.

Ao redor do mundo

A Bovespa ocupa com folga o posto de maior bolsa da América Latina. Ao final do primeiro semestre de 2007, a capitalização de mercado (US$ 1,008 trilhão) e a média diária de negociação (US$ 2,632 bilhões) eram mais de duas vezes superiores ao apresentado pela segunda maior bolsa, a Mexican Exchange.

Esta superioridade também se reflete nas ofertas de ações. Entre os mercados emergentes, a Bovespa, ao final dos seis primeiros meses do ano, apresentava o terceiro maior volume de IPOs, perdendo apenas para Hong Kong Exchanges e Shangai SE.

Em âmbito global, a posição da bolsa brasileira também é de destaque: ocupa a sétima posição em volume de ofertas iniciais. Ao final do primeiro semestre a Bovespa ocupava o oitavo posto entre as bolsas de todo o mundo em captação de recursos por emissão de ações (IPOs e novas ofertas).

Por que chamamos de boom?

Os números acima não deixam dúvidas sobre a posição de destaque do mercado brasileiro no contexto global de IPOs. Agora, cabe avaliar a evolução e os motivos deste fenômeno.

Primeiramente, é preciso entender porque o as ofertas iniciais ocorridas em 2007 são vistas como um boom. Conforme dito anteriormente, este ano, 60 empresas realizaram ou anunciaram suas respectivas IPOs. Paralelamente, outras 23 empresas estão com seus pedidos de ofertas iniciais em análise na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Para que o investidor tenha melhor parâmetro da magnitude destes números, basta dizer que, entre 1995 e 2003, foram realizadas apenas 6 IPOs. Em 2004, ano marcado pela "reabertura" dos mercados - retomada da realização de ofertas iniciais em maior expressão - foram sete as companhias que ingressaram na Bovespa. Nos anos de 2005 e 2006, o número de companhias que abriram seu capital e passaram a negociar seus ativos na bolsa foram, respectivamente, 9 e 28.

Além de surpreender em número de operações realizadas, 2007 também mostra um boom em captação de recursos. As IPOs deste ano já captaram R$ 35,6 bilhões, superando o montante captado em todo o ano de 2006 (R$ 30,7 bilhões), somando ofertas iniciais e novas ofertas. Isso sem contar que este dado de 2007 pode estar defasado, já que algumas empresas ainda não anunciaram o encerramento de suas ofertas, assim, os dados utilizados para tais são preliminares.

Revitalização do mercado acionário

O número reduzido de aberturas de capital e a subutilização do mercado acionário nos anos anteriores podem ser explicados pela regulamentação insuficiente e pela necessidade de maior transparência nos números das empresas que almejavam ingressar na Bolsa. Havia a necessidade de se criar um ambiente mais favorável às distribuições públicas primárias e secundárias, particularmente IPOs.

A ampliação do público investidor, a disseminação da cultura de investimentos e, mais relevante, o avanço das práticas de governança corporativa vieram para mitigar estes problemas. Basta observar que a maioria das empresas que ingressaram na Bovespa em 2007 aderiram ao Novo Mercado, nível máximo de governança dentre os segmentos da Bovespa.

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